11 de julho de 2026
Nacional

Vôos atrasam, mas Aeronáutica nega que haja problema de fluxo

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Os passageiros enfrentam mais um dia de atrasos em alguns dos principais aeroportos do País. As causas do problema não foram confirmadas, e a Aeronáutica nega que a espera, ontem, seja causada pela falta de controladores de tráfego aéreo no setor de Brasília.

No fim de semana, atrasos foram atribuídos à falta de operadores. O setor, já desfalcado com o afastamento de controladores após a queda do Boeing da Gol, ficou sem outros dois profissionais no sábado - um teve um problema familiar e outro, quebrou a perna, de acordo com Wellington Rodrigues, presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA).

Segundo informações do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, ontem, não houve problemas de fluxo e todos os consoles operam conforme a necessidade do sistema, com o número necessário de controladores.

O governo nega que o maior espaçamento entre as decolagens seja resultado de uma nova operação-padrão por parte dos controladores. A Aeronáutica admite que os atrasos podem ser conseqüência do gerenciamento do tráfego aéreo feito anteontem, o que pode ter causado um efeito bola-de-neve.

Atrasos

Da 0h às 9h de ontem, ao menos 148 vôos sofreram atrasos no Brasil, de acordo com balanço parcial da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). O número equivale a 31,8% do total. A espera, também ocorrida nos últimos dias, se agravou no domingo e persiste. Os problemas são maiores nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, em São Paulo.

No aeroporto Tom Jobim, no Rio, as decolagens para as regiões Sul e Norte ficaram suspensas por aproximadamente meia hora, a partir das 8h57. As causas da interrupção e o número de vôos afetados não foram confirmados. Além de São Paulo e do Rio, os problemas foram registrados em Brasília e no aeroporto Tancredo Neves, em Minas, entre outros.

Entre a manhã e o início da tarde desta segunda, os atrasos nos aeroportos variavam de meia hora a três horas e meia, em pousos e decolagens. Anteontem, a espera passou de oito horas em alguns casos.

Representantes do Ministério da Defesa, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Infraero e dos controladores deveriam se reunir ontem em Brasília para discutir a crise no setor. Um funcionário da Infraero, que pediu para não ser identificado, disse que a situação iria piorar ainda mais com forte probabilidade de também continuar até o feriado de quarta-feira, Dia da República.

Crise

No final de outubro, os controladores de tráfego aéreo decidiram, de forma isolada, iniciar a chamada operação-padrão, com maior espaçamento entre as decolagens. O objetivo seria garantir a segurança dos vôos. As normas internacionais determinam que cada operador deve controlar, no máximo, 14 aeronaves no mesmo instante. O resultado da operação-padrão foi uma seqüência de atrasos e cancelamentos de vôos.

No dia 2, feriado de Finados, o tráfego aéreo entrou em colapso. Milhares de passageiros sofreram com esperas de até 20 horas e os prejuízos chegaram à rede hoteleira. A falta de controladores em Brasília foi agravada após a queda do Boeing da Gol, em 29 de setembro, que resultou na morte dos 154 ocupantes. Após o acidente, ocorrido em Mato Grosso, um grupo de controladores foi afastado.

A reportagem apurou que alguns controladores estão insatisfeitos com as negociações feitas com o governo federal. O fato indica que a categoria poderia ter aumentado o intervalo entre as aeronaves nos horários de pico, desde quinta, como uma espécie de operação-padrão, em menor escala que a registrada no início do mês, como forma de pressionar o governo. A Aeronáutica nega.