Há algumas semanas, escrevi aqui no JC sobre o modo como o poder público inglês lida com reclamações de vizinhos barulhentos. Na mesma linha de condutas, que colocam o interesse coletivo acima de tudo, descobri que eles mantém a “Associação Britânica de Banheiros Públicos”.
Ao visitar uma pequena cidade chamada Leighton Buzzard, fiquei impressionada com a limpeza e o conforto do banheiro local. Na saída, vi um pequeno cartaz indicando que aquele tinha sido eleito “banheiro do ano” em 2005 pela tal associação. Meu primeiro impulso foi uma risadinha sarcástica, pensando que esses ingleses não têm algo mais sério com o que se preocupar. Mas esse impulso durou poucos segundos, e foi substituído por uma súbita consciência de até onde o respeito ao público pode chegar.
Visitei o site da British Toilet Association, que justifica sua existência com os seguintes argumentos: a população está envelhecendo, e os idosos precisam mais desse tipo de instalação. O turismo cresceu bastante na Inglaterra, logo é preciso oferecer serviços públicos de qualidade, daí o incentivo do “prêmio”. Além disso, a saúde pública, assunto tão debatido, começa com condições mínimas de higiene. Banheiros públicos decentes estão incluídos aí.
As instalações são mantidas pelos conselhos (que equivalem às prefeituras) e financiados pelos comerciantes locais. Na parede, há um quadro com o nome da pessoa responsável pela manutenção no perído, a assinatura dela, confirmando que esteve ali, e um número de telefone para reclamações, caso o serviço não esteja dentro dos padrões. “O banheiro público é a vitrine da cidade”, eles dizem.
A autora, Alexandra Bujokas de Siqueira, é professora da USC, doutora em Educação e pós-doutoranda em Estudos de Mídia, na Open University, em Milton Keynes, Inglaterra