10 de julho de 2026
Cultura

Miller: o melhor mágico do Brasil

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

Em oito minutos, mais de 100 números de mágica sem o uso de qualquer aparelho. A performance trabalhada há cerca de três anos rendeu ao piratininguense Miller Antônio Ramos Chamorro, 20 anos, o prêmio de Melhor Mágico de Manipulação do País, durante o 2.º Congresso Brasileiro de Mágicos, realizado entre os dias 1 e 5 de novembro, em Barueri.

Para participar, Miller foi pré-selecionado entre mágicos de todo o Brasil por uma comissão julgadora do congresso. Na grande final, em Barueri, o artista concorreu com mais quatro mágicos, sendo que um deles, o argentino Mathias Costilla, era o grande favorito. “Treinei para tentar ganhar, mas com um nome de peso como o do argentino, sabia que seria difícil”, lembra o jovem.

Mas seus números não deixaram dúvidas entre os jurados. Em um deles, 60 cartas de baralho aparecem nas pontas dos seus dedos, numa técnica de aparição totalmente inovadora. Em outro, um arco se transforma em pano e, depois, em uma pomba. A performance rendeu o seguinte comentário de um dos seis jurados: “Os passes de Miller dão nós nos dedos”.

Com a condecoração, Miller carregará o maior status do universo da mágica no Brasil até 2008, quando será realizada mais uma edição do congresso. Até lá, serão mais horas de treino na Academia Átila e Rosi de Artes e Ilusionismo, em Bauru, onde o artista estuda desde os 14 anos. “Com o prêmio vou poder participar do festival latino-americano, no Peru, e do festival mundial, na China, ambos em 2009. Então preciso me preparar”, conta entusiasmado o mágico.

Cada fala de Miller é complementada com orgulho pelo professor e ilusionista Átila. “O prêmio é o resultado de superações técnicas, financeiras e de divergências de opinião. Fico muito feliz porque o Miller é como um filho para nós”, afirma o professor, que faz questão de enfatizar. “Na academia, estudamos muito, porque mágica é a união entre ciência e técnica”.

Profissão

Ele tinha apenas 14 anos quando levou seu sonho a sério e ingressou no curso de mágica oferecido pela Academia Átila e Rosi de Artes e Ilusionismo. “Desde muito novo, queria ser mágico e quando soube do curso vi que era a oportunidade de aprender”, lembra Miller.

Sem abandonar os estudos, o pequeno mágico foi ganhando brilho e fazendo shows até chegar o momento de escolher a mágica como profissão. “Passei num concurso público estadual, mas não agüentei ficar nem três meses. Sentia falta dos ensaios e, contra a vontade da minha família, larguei o emprego e voltei à academia”, conta.

Com treinos diários e intensos, hoje o mágico chega a ganhar em uma hora o que não ganhava em um mês como funcionário público. “Existe mercado para bons mágicos. Mas, para isso, é preciso muito estudo e dedicação”, coloca o professor e ilusionista Átila.

Com 30 anos de trabalho, Átila sabe o que está dizendo. Depois de obter reconhecimento nacional, internacional e uma carreira consolidada, o ilusionista e sua companheira, Rosi, decidiram plantar sementes e abrir uma academia. “Queríamos criar novos mágicos para que, futuramente, também pudéssemos aprender com eles”, conta o professor.

Desta forma, eles inauguraram em 2000 a Academia Átila e Rosi de Artes e Ilusionismo. De acordo com Átila, os interessados não precisam pagar nenhum taxa, desde que mostrem seu desempenho em aprender. “Para participar, é preciso vir aos encontros e passar por uma avaliação de três meses”, explica. A academia conta atualmente com 16 alunos, com idade que varia de 11 a 60 anos. Mais informações podem ser encontradas no site www.atilaerosi.com.br