11 de julho de 2026
Nacional

Polícia Federal quer mais tempo para investigar os petistas do dossiegate

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cuiabá - A Polícia Federal (PF) de Cuiabá afirma agora não ter elementos suficientes para indiciar os ex-petistas envolvidos na negociação do dossiê antitucano e vai pedir que a Justiça Federal prorrogue as investigações por pelo menos mais 30 dias.Tanto o delegado federal Diógenes Curado quanto o procurador da República Mário Lúcio Avelar avaliam que ainda há diversas situações a serem esclarecidas no caso.O prazo para a conclusão do inquérito sobre a tentativa de venda do dossiê termina no dia 26.

As apurações já foram prorrogadas uma vez. Há três semanas, a PF chegou a anunciar que poderia indiciar os envolvidos.”Ainda não temos elementos suficientes para indiciar (os envolvidos). Sem saber a origem do dinheiro não temos como fechar o inquérito”, disse Curado anteontem, após uma reunião de uma hora e meia com Avelar na sede da PF em Cuiabá. “O caso é um quebra-cabeça”, disse Avelar após deixar a PF.

Ao mesmo tempo, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), sub-relator da CPI dos Sanguessugas, afirmou ontem que a PF deve concluir o inquérito do dossiegate afirmando que o R$ 1,75 milhão é proveniente de caixa dois da campanha do PT ao governo de São Paulo. “A tendência é a investigação caminhar para a tese do caixa dois de campanha”, afirmou Gabeira, que se reuniu anteontem com Curado em Cuiabá.

Segundo o deputado, o delegado teria dado a entender que, aceita a tese do caixa dois, ele considera muito mais factível o dinheiro ter saído da campanha paulista do que da campanha nacional do PT.

Relatório parcial

A PF prendeu no dia 15 de setembro os emissários petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos em um hotel de São Paulo com o R$ 1,75 milhão. Os dois afirmaram à PF desconhecer a origem do dinheiro. A quantia seria usada para pagar Luiz Antonio Vedoin, organizador do dossiê e chefe da máfia dos sanguessugas.

O relatório parcial da PF apontou que a negociação foi comandada por Jorge Lorenzetti -ex-coordenador da área de análise de risco e mídia do comitê da campanha do presidente Lula à Presidência. Oswaldo Bargas (ex-coordenador de programa de governo da campanha de Lula) e Expedito Veloso (ex-diretor do Banco do Brasil) foram até Cuiabá negociar o dossiê com Vedoin, segundo a Polícia Federal. Junta-se a eles Hamilton Lacerda, então coordenador de campanha do candidato derrotado ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante.

Lacerda foi filmado no hotel com uma mala pouco antes da prisão.Para o delegado, a PF precisa ainda aprofundar as investigações relacionadas à Vicatur Câmbio e Turismo, cujos proprietários já foram indiciados. De acordo com as apurações, ao menos US$ 109,8 mil saíram da Vicatur, em Nova Iguaçu (RJ).