10 de julho de 2026
Nacional

Lula enfrenta pressão de aliados por mais espaço

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo pressionado por aliados em diversos partidos a definir o espaço que cada um deles terá no segundo governo. Alguns ameaçam desembarcar do barco do petista.

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), pediu “mais agilidade” do presidente, e disse que algumas decisões são “para ontem”. “Já pedi a audiência com o presidente, estou esperando. Quanto mais demora, mais se criam ruídos entre os partidos”, disse Ideli, uma espécie de porta-voz da insatisfação petista com o modo como o PT vem sendo tratado em comparação com outros partidos -especialmente o PMDB.

Legendas como PSB, PC do B e PP também aguardam por um telefonema do chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, para a conversa definidora. Também estão incomodadas com a prioridade dada pelo presidente aos peemedebistas, a jóia da coroa da composição no segundo ministério. Enquanto aguardam, as legendas já definiram suas prioridades.

Como regra geral, querem manter as pastas que já têm, recuperar espaços que perderam e se possível levar mais um ou dois ministérios na composição final. O PT quer somar mais dois ministérios além dos 16 que tem hoje: Cidades e Saúde. São duas pastas que têm orçamento polpudo e que o partido já comandou, mas perdeu para PP e PMDB, respectivamente.

No Legislativo, o desejo dos petistas é tirar do PC do B a presidência da Câmara e recuperar a liderança do governo no Senado, hoje nas mãos de Romero Jucá (PMDB-RR). O PSB definiu dois pedidos que levará a Lula numa conversa que deve ocorrer com o presidente do partido, Eduardo Campos (governador eleito de Pernambuco).

Os socialistas pretendem manter o Ministério da Ciência e Tecnologia, mas substituindo Sergio Rezende, de perfil técnico, por um político. Candidatos à vaga são o líder do partido na Câmara, Alexandre Cardoso (RJ), o deputado gaúcho Beto Albuquerque e o senador eleito Renato Casagrande (ES). O outro objetivo do PSB é conquistar uma pasta de grande orçamento, como Saúde ou Integração Nacional.

A prioridade para ocupá-la seria de Ciro Gomes, mas ele tem dado sinais de que gostaria de assumir sua cadeira na Câmara. O PP quer manter as Cidades e avançar para Integração Nacional e Transportes. “Nossa aliança é programática, mas todos querem espaço”, diz o líder do partido na Câmara, Mario Negromonte (BA), que aguarda um telefonema do Planalto.

O PR (Partido Republicano, ex-PL) já pediu a Lula a volta do senador eleito Alfredo Nascimento (AM) para o Ministério dos Transportes. Já o PC do B, fragilizado por não ter conseguido superar a cláusula de barreira, ficará satisfeito se mantiver o Ministério dos Transportes e a presidência da Câmara. Toda a discussão fica em suspenso, no entanto, até uma definição com os peemedebistas. Lula espera uma sinalização positiva hoje, quando governadores do PMDB se reúnem em Florianópolis (SC).