08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Pobre Brasil


| Tempo de leitura: 3 min

O povo votou! O povo votou! Que maravilha! Justamente agora que o São Paulo F.C. dispara para vencer o segundo turno e ser eleito Campeão Brasileiro, fomos obrigados, democraticamente, a votar em outro segundo turno, para que fosse eleito o novo campeão do Brasil. Pobre Brasil! Campeão, conforme nos mostra o grande Aurélio, refere-se ao desportista ou a uma equipe que venceu seus adversários num campeonato disputado. Também fala ele, o Aurélio, (fala ou escreve?) que Campeã era o Cavaleiro que combatia em campo fechado, em honra ou defesa de uma causa . Voltemos às eleições.

Um dos candidatos do segundo turno, se tivesse sido campeão, defenderia a causa do nefasto neoliberalismo, das nocivas privatizações, da continuidade da política favorável às elites, aos banqueiros, exalando o fétido ranço herdado do insalubre governo FHC. O outro, por sua vez , já que conquistou o bicampeonato, defenderá o falso populismo que o consagrou, mostrando a todos, mais uma vez , o deslumbramento pelo poder, qualidade própria de quem nunca comeu melado e se lambuzou até a alma ao fazê-lo.

Vai adotar a política de que em time que está ganhando não se mexe, conservando a camarilha de maus jogadores que lesaram o país-sede do campeonato e esquecendo novamente da sua sofrida infância, vivida na sua fase dente-de-leite, no agreste pernambucano. E naquele tempo, como consolo, ele ainda tinha “dez” dedos nas mãos. Hoje, talvez por estar seu time apenas com “nove”, é que ele esteja jogando tão mal.

Tudo isto me faz lembrar uma frase de um amigo bancário , dos bons tempos de Banespa, quando ele dizia, saboreando um delicioso churrasco: “Se eu fui pobre eu não me lembro!” Assim deve pensar o candidato que venceu com uma boa vantagem de pontos para a conquista do título de eleitor, digo, de bicampeão do Brasil . Pobre Brasil! E como diz o velho adágio popular: se ficar o bicho come, se correr o bicho pega; é assim mesmo a nossa situação, um beco sem saída, um desesperança, um malfadado destino, um desalento por constatar que a demagogia, o protecionismo e a impunidade, continuarão emporcalhando esta imensa Terra de Santa Cruz. A culpa é do Pedro Álvares Cabral. Estava tudo "índio" bem naquela época. Aí, descobriram-nos e deu no que deu ...

Terminando o relato de minha insatisfação pela derrota do “Time do Povo Brasileiro”, podemos comparar os candidatos aos provérbios, que nem sempre falam a verdade, embutindo em suas palavras algum outro significado ou omitindo alguma falsa afirmação . Exemplos: “Água mole em pedra dura”, tanto bate até que fura (e se acabar a água?) , “De grão em grão, a galinha enche o papo (e se ela engasgar antes?). “A união faz a força” (não é açúcar?) “Em terra de cego quem tem um olho é rei “ (não será , mal visto , já que cego não enxerga?), “Cão que ladra não morde" (só enquanto ele estiver latindo). E assim por diante ... Realmente, não dá para confiar no “Bicampeão”, e muito menos confiaríamos no “vice”?

Fernando Lucilha Júnior - RG 5.023414