Berlim - Os dois grupos de cientistas que estão trabalhando no seqüenciamento do genoma do homem de Neandertal publicam hoje e amanhã o primeiro resultado parcial dos dados que obtiveram, e esperam terminar o trabalho dentro de dois anos. Assim que o genoma estiver pronto, a comparação do DNA do neandertal (a espécie distinta mais próxima que se conhece do Homo sapiens) com o de pessoas e chimpanzés pode trazer dados novos sobre a história da evolução humana.
“Seqüenciar o genoma do neandertal oferece a possibilidade única de identificar mudanças genéticas específicas no genoma de humanos modernos”, disse o geneticista Svante Pääbo, do Instituto Max Planck para Antrolpologia Evolutiva, em Leipzig (Alemanha). Pääbo publica hoje na Nature resultados da primeira análise do genoma do neandertal - 1 milhão de pares de bases (“letras” do DNA) do Homo neanderthalensis, sendo que o total deve ser 3 bilhões, assim como o genoma humano.
O outro grupo trabalhando no seqüenciamento é liderado por Edward Rubin, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia. Adotando estratégia diferente, ele inseriu o DNA antigo em bactérias para fazer cópias de cada amostra.
Pääbo e Rubin começaram a trabalhar juntos um ano e meio atrás, quando desenvolveram uma metodologia para trabalhar com seqüenciamento de DNA antigo usando amostras de ossos de ursos-das-cavernas com homens de Neandertal.
Os dois grupos começaram a usar metodologias diferentes de seqüenciamento e adotaram abordagens diferentes para evitar a contaminação das amostras antigas por DNA humano moderno - uma das maiores dificuldades dessa área. Apesar de publicarem seus estudos separadamente, os cientistas afirmam que continuarão trabalhando em colaboração.