O caso da modelo Ana Carolina Reston Macan, que morreu na última terça-feira, aos 21 anos, vítima de complicações provocadas por anorexia, reavivou a discussão da doença que está presente em muitas famílias brasileiras, inclusive em Bauru e região. A modelo bauruense Cristina Bastos Pimentel, 28 anos, por exemplo, passou por momentos difíceis quando enfrentou a anorexia e lembra-se da persistência que teve para continuar na profissão. Ela chegou a beber só dois copos de leite por dia.
Os primeiros sintomas da doença vieram aos 13 anos de idade. Ela praticamente não comia. A vontade de estar com o corpo ‘perfeito’ exigido pelas agências de modelo e o fato de não sentir fome foram se agravando ao longo do tempo. “Quando cheguei ao momento mais crítico, não tinha mais fome. Durante o dia, bebia só dois copos de leite. Essa era minha alimentação”, conta.
Sem perceber que tratava-se de uma doença, Cristina continuou emagrecendo. Com 1,78 metros de altura, chegou a pesar 47 quilos.
Foi por vontade própria que procurou um médico. “Sabia que estava mal, por isso resolvi pedir ajuda”, conta. Fez também tratamento psicológico e mudou sua alimentação. Hoje, tem 28 anos e sente-se muito mais feliz com 58 quilos. “Continuo trabalhando como modelo. Sinto que estou melhor, com mais ânimo para fazer as coisas”, diz.
O caminho para a cura da doença é mesmo buscar ajuda profissional diz o psiquiatra e psicoterapeuta Ernindo Sacomani Júnior, que coordena um programa de transtornos alimentares na Faculdade de Medicina de Marília. “Existem casos que podem ser tratados em consultas, mas determinadas pacientes são internadas assim que chegam ao consultório porque correm risco de morte”, conta.
Ele já chegou a atender uma paciente que, por dia, tomava apenas uma xícara de chá. “O tratamento é difícil, demorado e cheio de recaídas”, garante. Nos casos mais graves, a paciente pode morrer se não receber os cuidados necessários.
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‘Em pele e osso’
O relato da mãe da modelo Ana Carolina Reston Macan, que morreu em decorrência da anorexia, emocionou Tereza, 40 anos. “Chorei o dia todo”, conta. O desespero de ver a filha sem se alimentar, doente e o medo da morte fizeram parte de sua vida. No final deste mês completará um ano que a sua filha Daniela, 15 anos, está em tratamento contra anorexia.
No momento mais crítico da doença, a adolescente tomava apenas 80 gramas de leite fermentado, com 60 calorias. Fazia exercícios físicos pelo menos duas vezes por dia e passava o dia todo estudando em seu quarto. “Minha filha estava pele e osso, mas se achava gorda”, diz a mãe.Os nomes dos personagens foram trocados para preservar o anonimato deles.