09 de julho de 2026
Internacional

Arma de fogo mata mais jovens no Brasil

Por Antônio Gois e Luciana Constantino | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Não há lugar, entre 65 países comparados, onde os jovens morram mais por armas de fogo do que no Brasil. Além disso, o País é o terceiro, num ranking de 84, em que mais jovens entre 15 a 24 anos morrem por homicídio. São constatações do Mapa da Violência 2006, divulgado ontem em Brasília pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI).

O relatório mostra que 15.528 brasileiros de 15 a 24 anos perderam a vida em 2004 por causa de acidentes, crimes ou suicídios causados por uma arma de fogo, o que resulta na taxa de 43 mortes por 100 mil. Dos 65 países comparados, apenas a Venezuela chega próximo ao Brasil, com o patamar de 38 mortes por 100 mil jovens. Mesmo Israel, país que vive em situação de conflito armado, tem taxa bastante inferior: 5,3 mortes por 100 mil.

A Colômbia, país igualmente conhecido pelas altas taxas, não é comparado nesse indicador de armas de fogo. O relatório inclui os colombianos na comparação das taxas de homicídios de jovens, sejam causadas por armas de fogo ou não. Nessa comparação, o Brasil é o terceiro, atrás de Colômbia e Venezuela.

No meio de tantas más notícias, no entanto, há um destaque positivo: apesar do aumento de 64,2% no número de homicídios entre jovens de 1994 a 2004, foi registrado um declínio de 2003 para 2004.

Ao analisar essa queda, o relatório estima que 5.160 vidas foram poupadas, sendo 2.349 de jovens. Para chegar a esse número, foi feita uma estimativa, para cada Estado, de qual seria o número de homicídios em 2004 levando em conta a tendência até 2003. O resultado é a diferença entre as mortes estimadas e as ocorridas.

Na comparação entre os Estados brasileiros, os que apresentam as maiores taxas de homicídio na população jovem são Rio de Janeiro (102,8 mortes por 100 mil jovens), Pernambuco (101,5) e Espírito Santo (95,4). São Paulo é o 9.º (56,4) e a menor taxa está em Santa Catarina (18,6).

Entre as Capitais, a maior taxa pertence a Recife, seguida de Vitória. A cidade do Rio tem a 5.ª maior (120,4) e a de São Paulo, a 12.ª (81,6). Na outra ponta, com os menores índices, estão Palmas (38,0) e Natal (27,6).

Para o autor do estudo, Julio Jacobo Waiselfisz, em boa parte a redução é um reflexo do Estatuto do Desarmamento, em vigor desde 2003. Ele ressalva, no entanto, que é preciso ter continuidade nas políticas. “A preocupação é que não tem havido uma continuidade nessa campanha pelo desarmamento. (...) Temos de lembrar que políticas preventivas são mais econômicas e eficientes que as punitivas”, diz.

O estudo constatou também que as mortes de jovens, seja por homicídios, acidentes de trânsito ou suicídios, aumentam consideravelmente nos fins de semana. “Mais de 20% da população jovem não estuda nem trabalha. Isso significa rua, bares, álcool, droga, transgressão de normas. Existe um jeito jovem de viver, mas também um jeito jovem de morrer”, disse Waiselfisz.

Para Ednilsa Ramos de Souza, pesquisadora do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência da Fiocruz, de início, os dados de redução dos homicídios foram tratados com ressalvas, mas, depois, percebeu-se que eram consistentes.

Interiorização

Ao contrário do início dos anos 90, quando Capitais e regiões metropolitanas eram apontadas como as mais violentas, houve uma “interiorização” dos homicídios, inclusive de jovens, a partir de 2000. Entre 1994 e 1999, o crescimento dos casos nas Capitais e regiões metropolitanas foi de 6,1% e, no interior, de 4,9%. Já no período 1999-2004, foram 0,8% e 5,3%, respectivamente. Mesmo no período 2003-2004, quando há queda nos índices de mortes violentas, ela é mais acentuada nos grandes centros - 6,9% - contra 2,5% no Interior.

Quando se comparam os Estados, os que apresentam as maiores taxas de homicídio na população jovem são Rio (102,8 mortes por 100 mil jovens) e Pernambuco (101,5). São Paulo é o 9.º (56,4) e a menor taxa está em Santa Catarina (18,6). Entre as Capitais, a maior taxa foi verificada em Recife, seguida de Vitória. Rio tem a 5.ª maior e São Paulo a 12.ª.