09 de julho de 2026
Geral

Para CRM, medicina exigirá R$ 1 mi

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A instalação do curso de medicina da Universidade de Marília (Unimar) na Associação Hospitalar de Bauru (AHB) demandaria um investimento superior a R$ 1 milhão, segundo avalia o Conselho Regional de Medicina (CRM).

Um levantamento feito pelo órgão nos hospitais da rede apontou uma série de adaptações que precisam ser feitas para que as unidades possam receber os estudantes de forma adequada, como prevê o conselho. Entre as melhorias, é indicada a construção de anfiteatros, laboratórios próprios para os universitários, uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a ativação de enfermarias que, segundo o CRM, não estão em funcionamento atualmente.

A entidade também ressalta a necessidade de uma equipe médica titulada, com mestrado e doutorado, para atuar como uma coordenadoria pedagógica que oriente o estágio dos estudantes.

Outro ponto destacado foram os atendimentos de clínica médica e pediatria, que o CRM alega terem sido transferidos para o Hospital Estadual (HE). O conselho entende que os serviços precisam voltar a ser prestados na AHB, já que são áreas específicas para o aperfeiçoamento dos universitários em fase de conclusão do curso. A ampliação do atendimento ambulatorial também foi incluída na pauta.

“Hoje, a AHB não estaria preparada para se tornar um hospital-escola. Seria necessário um investimento de razoável monta, que no caso, ultrapassa R$ 1 milhão”, diz Carlos Alberto Monte Gobbo, conselheiro do CRM em Bauru.

A preocupação do conselho é saber qual instituição bancará as adaptações que a Associação Hospitalar necessita para abrigar o curso de medicina. Para Gobbo, é pouco provável que o Estado contribua com o projeto, já que o maior beneficiado seria uma faculdade privada.

“Se a Secretaria de Estado (da Saúde) quiser bancar isso para abrigar alunos de uma escola particular, avalio como uma prevaricação. Ela vai usar um dinheiro destinado à saúde da população para dar assistência a alunos de uma faculdade particular que pagam por essa assistência na faculdade. Não seria coerente”, observa.

Ainda segundo o conselheiro, o relatório elaborado pelo CRM foi enviado à Secretaria de Estado da Saúde. “Estamos questionando (no documento) se a secretaria poderia investir nos hospitais para dar condições a eles de funcionarem como hospital-escola”.

O reitor da Unimar, Márcio Mesquita Serva, diz que a transferência do curso de medicina para Bauru depende da contrapartida que os hospitais oferecerão à entidade. Entretanto, ele acredita na colaboração da Prefeitura Municipal e também da Secretaria de Estado da Saúde.

Temos que saber o que (os hospitais de Bauru) querem. Estamos no início das conversações”, comenta. Ainda de acordo com Serva, inicialmente apenas os estudantes de quinto e sexto anos da faculdade seriam transferidos para os hospitais de Bauru, onde cumpririam os estágios obrigatórios do curso e as residências para especialização.

A Unimar já entregou uma carta de intenções à AHB, que segundo a assessoria de imprensa da instituição, ainda está em análise. O motivo apontado pela faculdade para transferir a medicina a Bauru é a falta de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme o reitor, a verba repassada pelo órgão é insuficiente para manter o hospital da Unimar, onde os alunos dos últimos anos do curso começam a praticar a profissão.

Reunião

Nesta segunda-feira, representantes da Associação Hospitalar de Bauru e da Universidade de Marília (Unimar) se reunirão para discutir a viabilidade da transferência do curso de medicina.

De acordo com a assessoria de imprensa da AHB, o encontro está marcado para as 14h no Hospital de Base de Bauru. Representando a associação, estarão o presidente Joseph Saab, o superintendente Reinaldo Rocha, o conselheiro-administrativo Álvaro Lima, o diretor técnico Samuel Fortunato e a diretora-clínica Telma de Freitas. Da Unimar são esperados os diretores da faculdade de medicina e do hospital da entidade e o coordenador do curso.