07 de julho de 2026
Regional

Projeto de vereador é questionado

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Avaí – A hipótese de alunos estarem sendo promovidos da 2ª para a 3ª série do ensino fundamental em Avaí (39 quilômetros de Bauru) sem saber ler foi descartada ontem pelo assessor jurídico da prefeitura, Yossef Ibrahim Júnior. A deficiência estaria sendo apontada por pais de alunos ao vereador João Augusto Cassettari (PL), que propôs e teve aprovado pela Câmara Municipal da cidade um polêmico projeto de lei que institui uma avaliação externa - com contratação de uma consultoria educacional - para aferir se os 98 alunos das duas turmas da 2ª série estão indo para a série seguinte alfabetizados.

O projeto de lei está sendo avaliado pelo prefeito Paulo Sérgio Rodrigues (PSDB) e sua assessoria e que pode decidir vetar a proposta, que retornaria ao Legislativo.

“A prefeitura não tem nada contra a propositura do vereador João Augusto Cassettari, inclusive se vier para melhorar a educação, com certeza será sancionado pelo prefeito e colocado em prática”, adianta Ibrahim.

Para ele, o que está pesando contra a proposta é se apenas avaliar os alunos promovidos para a 3ª série será suficiente. “Para as outras séries não há necessidade. Por que só para a 3ª e para a 4ª?”, questiona. Ele esclarece que essa questão será avaliada com pedagogos. Outro ponto que pode ser empecilho ao projeto de lei é a geração de despesas para o município sem que traga resultados efetivos. “Será avaliado se não vai apenas gerar custo para a prefeitura sem uma efetividade prática. Ou se realmente vai ajudar na melhora do ensino”, posiciona-se o assessor jurídico.

Contrário a avaliar uma parcela restrita do total de 432 alunos pesa o comportamento da reprovação na escola municipal “Professora Elza de Oliveira Antônio”. Ibrahim cita que os alunos reprovados de 2005 para 2006 diminuem de série a série. Para comparar ele aponta que da 1ª série foram reprovados 14 estudantes; da 2ª série, 7; da 3ª série, 6; e da 4ª série, 1. Para Ibrahim, a queda da repetência série a série mostra que o ensino oferecido pelo município é de qualidade. Ele informa ainda que 95% dos alunos da 1ª a 4ª séries do ensino fundamental são alfabetizados, conforme dados da direção da escola. O assessor jurídico argumenta ainda a ótima performance dos estudantes na avaliação da Prova Brasil, aplicada em 2005 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, ligado ao Ministério da Educação. Ibrahim explica que de 350 pontos possíveis, os alunos alfabetizados da 1ª série conseguiram 347. “É quase a pontuação máxima”, comemora. Ele faz uma projeção lembrando que se os alunos da 1ª série obtiveram quase a nota máxima, automaticamente vão para a 2ª série praticamente alfabetizados. “Isso nos tranqüiliza, porque é este aluno que vai para a 3ª série”, ressalta. Atualmente, o colégio municipal possui 120 estudantes matriculados na 1ª série do ensino fundamental.

Ibrahim lembra que os 18 professores da escola têm curso superior. A cidade ainda tem um convênio com o governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Educação, em que os educadores participam do curso Letra e Vida. O projeto prevê a capacitação de um formador no colégio que vai atuar como multiplicador de conhecimentos para os professores que vão aplicar o aprendizado com os alunos. O assessor jurídico lembra ainda que a escola mantém uma sala de aula exclusiva para aulas de reforço escolar. Também explica que a biblioteca do colégio municipal é referência para a leitura, incentivada com professores e alunos utilizando o acervo diariamente em atividades que estimulam o leitor na escola.

O município também está com o programa de Ensino de Jovens e Adultos (EJA) com inscrições abertas. As matrículas podem ser feitas na escola municipal “Professora Elza de Oliveira Antônio”, que fica na rua Dr. Pedro da Rocha Braga, número 360, telefone (14) 3287-1500.

Ibrahim coloca à disposição de pais a direção da escola e a prefeitura para tirarem dúvidas sobre o ensino praticado pelo município. “Estamos abertos a quem quiser dar sugestões, conhecer as instalações, conversar com professores e com a diretora.” Este convite, o assessor jurídico da administração municipal também faz para Cassettari. “Uma das revoltas do vereadores é que o vereador Cassettari mora em Garça e nunca foi na escola e não sabe como funciona, quantas crianças tem. Precisa participar de reuniões do Conselho Municipal de Educação”, salienta Ibrahim, insinuando que esta seria uma forma de Cassettari ajudar e opinar com conhecimento.