11 de julho de 2026
Nacional

Ministro propõe criação de um órgão civil para gerenciar tráfego aéreo

Por Patrícia Zimmermann | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O ministro da Defesa, Waldir Pires, defendeu ontem a criação de um órgão civil e público para gerenciar o tráfego aéreo comercial no Brasil. Esse será um dos principais temas de análise pelo grupo de trabalho instalado, coordenado pelo próprio ministro, com o objetivo de propor soluções definitivas para os problemas existentes no controle do espaço aéreo brasileiro. Os militares continuariam responsáveis pelas atividades de defesa do espaço aéreo.

O grupo, que tem representantes dos ministérios da Fazenda, Planejamento, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Infraero (estatal que administra os aeroportos), da Advocacia Geral da União, Comando da Aeronáutica, dos controladores, das companhias aéreas e dos aeronautas, terá 60 dias para estudar os problemas do setor e apresentar soluções para melhorar o controle do espaço aéreo brasileiro.

O controle da aviação civil fora do comando militar é uma realidade nos Estados Unidos, na Europa e em vários países do mundo, segundo o ministro. Questionado se a proposta não encontraria resistência entre os militares, Pires afirmou que o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, estava sentado à mesa do grupo de trabalho quando o assunto foi tratado.

Na próxima quarta-feira, às 10h, o grupo voltará a se reunir, e cada representante deverá apresentar sua posição parcial sobre o assunto. Segundo o ministro, a idéia é a de que as decisões do grupo sejam tomadas em consenso, para que tenham representatividade para que as propostas sejam levadas ao governo e ao Congresso.

Escassez

Pires reconheceu que o problema do controle do tráfego aéreo enfrentado pelo país atualmente é de “escassez” de controladores. Entretanto, o ministro destacou que os controladores aposentados já estão sendo contratados temporariamente para ampliar o quadro de pessoal até que a situação possa ser normalizada. Já o concurso público para a contratação definitiva de 64 controladores terá que aguardar o prazo previsto na legislação, de 60 dias após as eleições, para ser realizado.

A promessa do ministro é a de que a seleção será realizada tão logo transcorra o prazo legal. Também serão remanejados para o centro de Brasília 18 controladores que atuavam em outras regiões, assim que a adaptação aos equipamentos de controle do centro esteja completa. “Para as coisas imediatas estamos avançando, estamos esperando que haja o máximo de esforço e de solidariedade do conjunto dos controladores, civis e militares, queremos superar as escassez dos controladores”, disse.

Empenho

As medidas já anunciadas pelo governo federal ainda não garantem um fim de ano tranqüilo para quem pretende utilizar o sistema brasileiro de transporte aéreo. O ministro da Defesa, Waldir Pires, disse ontem “esperar” que todos os controladores estejam empenhados no seu trabalho, para que não haja problemas durante as festas.

“A regularização completa se dá a partir do momento em que nós tivermos o número de controladores maior. Essa é a minha tranqüilidade. A tranqüilidade eu só terei assim. Por isso nós estamos adotando todas as medidas para que o país disponha disso. No momento nós vamos dispor muito da convocação, do empenho, eu diria até do patriotismo para continuar cumprindo o que antes se dava”, afirmou.

Pires disse ainda que “não temos controladores de sobra, não temos reserva de controladores”. “Esta angústia está sendo resolvida por uma participação ativa de todo o pessoal”, disse, ao avaliar que não se deve esperar o caos. “Eu espero que tenhamos um compromisso com o nosso povo, como o nossos cidadãos , com o nosso país.”