Rio - Delegado da Polícia Federal (PF) há apenas três anos, o gaúcho José Mariano Beltrame foi anunciado ontem pelo governador eleito do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), como o futuro secretário estadual de Segurança Pública. Beltrame, 49 anos, trabalhou como agente da PF de 1980 a 2003, quando fez concurso para delegado. Aprovado, foi transferido para o Rio, onde atua na direção do setor de Inteligência da superintendência.
A escolha surpreendente foi creditada por Cabral Filho ao currículo de Beltrame. Ainda como agente, ele se especializou em trabalhos de bastidor. Investigações das quais participou foram a base da maioria das recentes operações da PF no Rio - a principal delas, a prisão de policiais da própria superintendência, acusados de envolvimento em corrupção.
Dois deles já tinham sido superintendentes.Pesou também para a opção por Beltrame a indicação feita pelo secretário nacional de Segurança, Luiz Fernando Corrêa. Beltrame veio para o Rio indicado por Corrêa, a quem sucedeu na Inteligência local da PF.
Até anteontem, o mais cotado para o cargo era o secretário estadual de Administração Penitenciária, Astério Pereira, promotor e ex-oficial da Polícia Militar (PM). Pereira perdeu a indicação porque o governador eleito quer parcerias na área de segurança com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem apoiou na reeleição. O secretário de Administração Penitenciária é ligado à governadora Rosinha Matheus (PMDB) e a seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho.
Cabral Filho anunciou também que vai acabar com a Secretaria de Administração Penitenciária. O setor passará a ser subordinado à Secretaria de Segurança. Em entrevista em que pouco falou, o futuro secretário disse que vai priorizar as ações de inteligência e não descartou o uso do “caveirão” em ações policiais de favelas.
Beltrame procurou corrigir um repórter quando questionado sobre o “caveirão”. A aposentadoria do veículo foi anunciada durante a campanha pelo governador eleito. “"Caveirão’, não. Carro blindado para transporte de tropas”, afirmou ele, acrescentando que estabelecerá critério para o uso do “caveirão”. Mais tarde, Cabral Filho disse que o blindado só será usado em casos “extremos”.