Ao contrário do que muito pensam, a combinação namoro e boletim não é sinônimo de notas baixas. Em diversos casos, o relacionamento pode até ser positivo e incentivar os estudos (leia mais no quadro). O casal formado por Larissa Cardoso Silva e Rafael Maurício Almeida, ambos com 14 anos e alunos da 8.ª série da escola estadual “Mercedes Paes Bueno”, costuma estudar juntos para as provas. Além disto, a garota incentiva Rafael a prestar atenção nas aulas e tirar boas notas. “Ele não gosta muito de estudar e acho que no nosso caso, o fato de estarmos juntos não atrapalha no processo de aprendizagem”, diz ela.
Esta também é a opinião de Guilherme Nóbrega Costa, 14 anos, e Thaís Berro Pompeo Fraga, 15 anos, da 8.ª série do colégio “São José”. Os dois afirmam que a escola não é lugar para namoro e sim para estudo e, muitas vezes, costumam freqüentar a biblioteca juntos e se preparar para as avaliações. O “amor de escola” é um estímulo a mais para que Jean Victor de Oliveira Rodrigues, 13 anos, e Letícia Oliveira da Silva, 14 anos, da 7.ª série do “Mercedes”, freqüentem as aulas. “É uma motivação para vir à escola e quase não falto”, diz a menina, ressaltando que o namoro não atrapalha o rendimento escolar do casal.
Segundo a coordenadora pedagógica Elisabete Davies, no Mercedes, não existem grandes problemas relacionados ao namoro no colégio. “A paquera e o ‘ficar’ são típicos da idade. Os namoros são mais esporádicos, mas costumam ser sadios. Dificilmente o casal extrapola ou deixa o relacionamento atrapalhar nos estudos.” Caso isto aconteça, a escola conversa com os alunos e, se não resolver, chama os pais. O colégio São José tem postura parecida, aponta o coordenador pedagógico Valter dos Santos Xavier. “A primeira pergunta que fazemos é se os pais estão sabendo”, comenta.
As estudantes Stephanie Manfio, 15 anos, Ana Gabriela Person, 14 anos, da 8.ª série do Mercedes, sempre contaram para as mães sobre os romances no colégio. “A maioria das pessoas já teve uma paixão na escola. É normal”, comenta Ana. Sua colega de sala Carolina Medeiros concorda. “Quando tinha um namorico no colégio, jurava que ia ser para sempre”, diz. As amigas Mariaugusta Miranda Funchal e Isabella de Tilia Comin, da 6.ª série do Mercedes, revelam que já tiveram uma paixão platônica – dessas de ficar escrevendo cartinhas e o nome do pretendente no caderno – e algumas “paquerinhas”. “Não tenho namorado, mas paquero um garoto da 7.ª série. Ele já pediu para ‘ficar’ comigo, mas ainda não aconteceu”, conta Mariaugusta. “Paquero um menino que também é da 7.ª série. Conversamos no intervalo e na Internet.
Para a psicóloga escolar Elisabethe Salomão, o diálogo e orientação sobre os valores e os limites do romance no colégio são ingredientes fundamentais para que o romance na escola seja saudável. No caso de problemas, aponta ela, a direção deve conversar primeiramente com os alunos e, depois, com os pais ou responsáveis. Em se tratando de “amor de escola”, outra tendência adotada pelos colégios é abordar temas ligados à sexualidade e à afetividade na sala de aula. “A orientação sexual é um papel primordialmente familiar, mas a escola dá continuidade a este processo”, diz.
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Dicas para um romance saudável
• Saiba que o namoro pode motivar o casal a ir ao colégio e estudar.
• Busque estudar junto com seu namorado para as provas e aproveite para aumentar seu desempenho escolar.
• Não fique muito “isolado” e mantenha a turma de amigos.
• Não esconda o relacionamento dos pais.
• Lembre-se que o pátio não deve ser palco de beijos e troca explícita de carinhos; isto pode constranger os colegas e professores.
• Tente evitar que as possíveis brigas e términos de relacionamento sejam assuntos públicos na escola.