07 de julho de 2026
Saúde

Toques e retoques

Consultoria: Daniela Hueb
| Tempo de leitura: 4 min

Combata os odores corporais desagradáveis

Prezado leitor,

Hoje vou falar sobre os odores corporais desagradáveis, pois o verão está aí, e com ele sol, malhação, praia e muito suor. Muitas vezes o suor chega acompanhado de um mau cheiro e não incomoda apenas você, mas qualquer pessoa em sua volta.

O cheiro do corpo, quando desagradável, pode afetar o relacionamento social e afetivo. Não esquecendo do mau hálito e das partes íntimas. Alguns conceitos são relevantes para você não se esquecer e não se confundir. Vamos a eles?

Bromidrose e Hiperidrose

Complicados estes nomes, não? Quando falamos em bromidrose, estamos nos referindo a “suor, não necessariamente excessivo, com mau cheiro”. Quando falamos em hiperidrose, estamos nos referindo a “suor excessivo sem mau cheiro”.

Bromidrose

É difícil achar alguém que nunca teve um mau cheiro, popularmente conhecido como cecê (nas axilas) ou chulé (nos pés). Mais difícil ainda: encontrar quem assuma tê-los. Não pense que isso é problema apenas para as pessoas menos abastadas. Engano seu: o cecê e o chulé não escolhem classe social, idade, sexo e raça. Como todo problema que incomoda, ele deve ser tratado.

Causas

Os causadores destes cheiros desagradáveis são bactérias residentes no suor destas regiões, provocando o odor fétido característico. Nos pés, além do chulé, pode acompanhar maceração, aquele aspecto esbranquiçado da pele, e até descamação da mesma.

Tratamento

O tratamento visa diminuir a população bacteriana nos locais afetados e assim controlar sua atuação sobre a secreção do suor. Pode ser feito com o uso de produtos sob a forma de talcos, sprays ou cremes contendo antibióticos e outras substâncias que dificultem o crescimento das bactérias. Em casos de associação de bromidrose e hiperidrose, pode-se acrescentar substâncias antitranspirantes. Para a indicação do produto mais adequado, deve-se procurar um médico dermatologista.

Hiperidrose

É comum a ocorrência de suor excessivo sem cheiro desagradável. Suas causas mais comuns são os estímulos emocionais (hiperidrose emocional) ou uma maior sensibilidade dos centros reguladores da temperatura corporal. As áreas mais freqüentes acometidas são as axilas, as palmas das mãos, as plantas dos pés e a região da virilha.

Quando a causa for emocional, o suor aumenta em situações de desconforto ou de tensão, sendo as palmas das mãos e as plantas dos pés os locais mais freqüentemente afetados. O incômodo causado pela sudorese excessiva pode lhe trazer ainda mais tensão, piorando seu quadro e trazendo dificuldades de relacionamento afetivo e até profissional.

Tratamento

O tratamento é feito com medicação de uso local ou através da utilização de alguns aparelhos. Ainda, quando emocional, o apoio psicológico pode ajudar bastante e em situações mais graves pode-se indicar o uso de tranqüilizantes.

A toxina botulínica (Botox®) surge como uma boa opção terapêutica, interrompendo a secreção excessiva do suor por um período de até seis meses. Pode ser aplicado em axilas, mãos e pés. Em casos extremos, a cirurgia de remoção das glândulas sudoríparas ou a dessensibilização dos estímulos à sudorese pode ser indicada.

Mau hálito

Várias causas são apontadas, como os refluxos estomacais que alcançam a garganta; inflamação das gengivas; presença de alimentos envelhecidos retidos entre os dentes; cárie dentária; e amígdalas, mesmo sadias, em alguns casos têm uma estrutura anatômica defeituosa que facilita a retenção de resíduos e o único tratamento definitivo é a remoção cirúrgica.

Como 95% dos casos são provocados pela higiene bucal ausente ou deficiente, nada que uma boa escova e pasta de dentes não resolva. Fuja de anti-sépticos bucais alcoólicos, pois pioram ainda mais o mau hálito.

A hora é agora. Vamos passar um verão sem cheiros desagradáveis e nem com suor excessivo. Ainda bem que existe tratamento, mas a prevenção é ainda o melhor remédio. Lembre-se que pessoas cheirosas são mais sedutoras e mais bem aceitas.

Um grande abraço e até o próximo domingo,

Daniela Hueb

Médica, CRM-SP 96.027

e-mail:danielahueb@jcnet.com.br

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Orientações

1) Lavar os locais afetados, ensaboando bem e dando preferência a sabonetes anti-sépticos;

2) Secar bem a pele após o banho, especialmente entre os dedos dos pés e axilas;

3) Trocar as roupas e as meias, diariamente;

4) Evitar o uso de tecidos sintéticos, dando preferência aos de algodão;

5) Preferir calçados abertos e desodorantes diariamente;

6) Colocar os calçados no sol e mantê-los sempre limpos;

7) Evitar deixar a pele úmida por muito tempo;

8) Quando os calçados velhos estiverem com odores fétidos impregnados devem ser descartados.