09 de julho de 2026
Nacional

‘Vidas Opostas’ adere à estética de ‘Cidade de Deus’

Por Laura Mattos | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Na Globo, por enquanto, a favela está restrita aos telejornais, quadros da Regina Casé e a séries independentes, como “Cidade dos Homens” e “Antônia”, que estreou na sexta. Na Record, a influência do longa-metragem “Cidade de Deus” (2002) chegará às novelas a partir desta terça-feira, às 22h. A emissora estréia “Vidas Opostas”, escrita pelo ex-global Marcílio Moraes, co-autor de “Roque Santeiro”, “Roda de Fogo” e “Mandala”, entre outras.

Na novela, a mocinha Joana (Maytê Piragibe) é pobre, como muitas outras na história da teledramaturgia. A diferença é que ela mora na favela e não em um subúrbio carioca reproduzido em cidade cenográfica por belas casinhas coloridas. Além de seu núcleo, de “gente de bem”, haverá outros dois na favela, formados por traficantes. Da ala “do mal” farão parte dois protagonistas de “Cidade de Deus”, Phellipe Haagensen (o Bené do filme) e Leandro Firmino (que fez Zé Pequeno).

Entre outros temas, “Vidas Opostas” abordará a guerra entre facções inimigas do tráfico e não faltarão seqüências de tiroteio, com arsenal de metralhadores e fuzis. As tomadas desse universo estão sendo gravadas na favela Tavares Bastos, no Catete (Rio). “Escolhemos esse local porque o Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) está instalado lá e a situação está mais tranqüila”, explica o autor da novela.

Na história, a mocinha da favela apaixona-se pelo galã milionário Miguel (Leo Rosa) - daí o nome “Vidas Opostas”. O problema é que um ex-namorado que virou traficante sai da cadeia e resolve tomar de volta a amada, além da boca-de-fumo. “A população, oprimida pela polícia e pelos bandidos, revolta-se contra o traficante e, em meio à confusão, ele acaba sendo morto”, conta Moraes.

O autor se inspirou na peça “Fuente Ovjuna” (1612), do escritor espanhol Lope de Vega, que narra a rebelião de um povoado contra o governador. “A novela tem um pouco dessa obra, um clássico para a esquerda marxista, por abordar, sob viés político, a opressão vivida por moradores da favela.” Para Moraes, as telenovelas seguem uma “estética da exclusão” ao não retratar as classes sociais mais baixas. “A novela é um investimento alto que precisa de retorno financeiro e, por isso, tem sido dirigida ao público consumidor e não aos excluídos. ‘Vidas Opostas’ ousa nesse sentido, e acredito que não haverá rejeição do mercado porque ela traz todos os elementos clássicos do folhetim.”

“Vidas Opostas” tem ex-globais como Lucinha Lins, Cecil Thiré, Raul Gazolla e outros. Substitui “Cidadão Brasileiro”, de Lauro César Muniz, que termina amanhã após manter a audiência em torno dos 12 pontos, bom resultado para a Record.