09 de julho de 2026
Bairros

Áreas não-adotadas esperam cuidados

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

No imaginário popular, praça é sinônimo de árvores, flores, jardins, diversão, crianças brincando... Isso pode até ocorrer em outros lugares, mas em Bauru está longe de corresponder à realidade. Se fosse feito um retrato dos logradouros públicos da cidade (sobretudo os que ainda não foram adotados pela iniciativa privada), as tintas seriam bem menos coloridas.

Em vez de flores, o que se vê nas praças do município é mato cobrindo até mesmo as calçadas. Os espaços que deveriam abrigar brincadeiras para meninos e meninas estão repletos de lixo e entulho. Como resultado, os únicos capazes de obter diversão nesses locais são os vândalos e os usuários de drogas, que encontram nas áreas mal-iluminadas esconderijos perfeitos para a prática de atos ilícitos.

Muitos podem considerar a pintura um tanto exagerada, mas uma visita a alguns bairros da cidade é capaz de comprovar facilmente a descrição feita acima. A Praça do Maçom, situada no Parque Boa Vista, zona oeste da cidade, é um dos inúmeros logradouros públicos que estão abandonados.

Uma aposentada de 80 anos que mora próximo à praça, garante que o local está sem receber manutenção há vários meses. “Nem lembro quando foi a última vez que limparam. Já liguei cinco vezes pedindo que a prefeitura viesse cortar o mato, mas até agora ninguém apareceu para fazer os serviço. Daqui a pouco a grama vai chegar à altura da copa das árvores”, afirma.

A aposentada tem motivos de sobra para se queixar do estado do local. Afinal, na Praça dos Maçom o mato é tanto que acabou cobrindo até mesmo as calçadas. Na última segunda-feira, por exemplo, o aposentado José do Nascimento, que tem problemas de locomoção, era obrigado a se arriscar pelo meio da rua para pode passar pelo lugar.

Usar os bancos - que também estão sendo engolidos pela vegetação - é algo impossível. “Desde que me mudei para cá, há cinco anos, nunca tive o gosto de me sentar nesta praça”, conta a aposentada.

Alguns podem argumentar que a situação encontrada no lugar em questão é um caso isolado, mas é fácil encontrar exemplos semelhantes em outras regiões de Bauru. Situada no Jardim Progresso, a Praça Antônio Assumpção Pereira chama atenção por três coisas: primeiro, por possuir um grande monumento de concreto, no qual está escrito o nome da cidade, em letras garrafais; segundo, pelo matagal que a cobre de ponta à ponta; terceiro, devido a um enorme formigueiro de saúvas instalado há tempos em seu interior.

“Daqui a pouco as formigas vão derrubar até nossas casas”, exagera o aposentado Arnaldo Pacheco, 81 anos, que vive em frente ao lugar. Para ele, o local não pode ser chamado de praça. “É matagal, isso sim.” Segundo ele, dificilmente a área recebe cuidados por parte da prefeitura. “Pelo que me lembro, faz mais de dois meses que ninguém aparece aqui para limpar. Esse ‘capim’ só não está maior porque ainda está chovendo pouco”, acredita.