08 de julho de 2026
Geral

Beber em ocasiões sociais pode levar à dependência química

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Onipresente. Essa parece ser a palavra que melhor define a bebida alcoólica hoje em dia. Ela está em todo canto: seja dentro de casa, nos bares, restaurantes, pizzarias ou em eventos festivos, relacionados a comemorações e momentos de relaxamento. E é nesse ambiente que surgem os alcoolistas ocasionais, aqueles que bebem apenas “socialmente”.

De consumidor moderado à condição de dependente químico, segundo especialistas, é um processo curto. Nem todos aqueles que bebem “socialmente” vão se tornar alcoólatras: alguns continuarão bebendo de vez em quando, enquanto outros não conseguirão controlar o impulso e passarão para o estágio de consumidores compulsivos.

De acordo com a enfermeira Luciana de Oliveira Martins, do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (Caps-AD) de Bauru, a linha que separa o bebedor “social” do dependente é tênue. Segundo ela, na maioria das vezes, os alcoolistas não aceitam essa condição. Eles continuam achando que só bebem “socialmente”. “Há uma resistência muito grande em aceitar”, afirma ela.

A médica e professora Florence Kerr-Corrêa, do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Uiversidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, diz que um dependente químico não surge da noite para o dia. O homem leva de cinco a 15 anos para se tornar um alcoólatra, enquanto a mulher precisa da metade desse tempo.

Especialista na área de dependência química, Florence revela que beber “socialmente” significa consumir no máximo 14 drinques por semana, ou seja, dois drinques diários. No caso da mulher, o limite é a metade disso. Um drinque equivale a uma lata de cerveja de 350 mililitros, uma taça de vinho de 150 ml ou uma dose de 50 ml de destilados, como vodca e cachaça.

Além dessa, existem outras regras. Por exemplo, beber devagar e no máximo um drinque por hora. Outra orientação da médica e pesquisadora Florence é nunca matar a sede com bebida alcoólica e sempre procurar comer alguma coisa antes de beber.

A enfermeira Luciana, do Caps-AD, ressalta que a maioria dos alcoólatras não está na rua, trançando as pernas em público e caindo pelas calçadas. “Eles têm casa e família e geralmente não aceitam a doença”, alerta. O alcoolismo é reconhecido como doença pela Organização Mundial de Saúde desde 1967.

Mesmo assim, muita gente ainda acredita que parar de beber é apenas uma questão de força de vontade. Estima-se que cerca de 10% da população brasileira seja dependente de bebida alcoólica. De acordo com essa estatística, Bauru tem proporcionalmente cerca de 35 mil alcoólatras.

Segundo estudos, teria sido comprovado que o consumo do álcool provoca mais estragos entre os jovens do que as drogas.

De acordo com a pesquisadora da Unesp, fica evidente que a pessoa se torna dependente do álcool quando ela passa a não ter mais autonomia sobre a vontade de beber, ou seja, bebe a qualquer hora e em qualquer lugar. “A pessoa está doente quando começa a planejar o dia em função do álcool. Tem medo de ficar sem a bebida em casa ou onde ela estiver”, comenta Florence.

E tudo isso normalmente começa com uma simples e inocente reunião entre amigos em volta de uma mesa de bar, um churrasco ou mesmo nos eventos sociais, seja a trabalho ou nas horas de lazer e até mesmo dentro de casa.