08 de julho de 2026
Geral

Cano de caixa d’água é foco de dengue

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Durante a Campanha Nacional de Combate à Dengue, realizada ontem, a população de Bauru, além de receber orientações sobre a doença, também foi alertada pelos agentes de saúde sobre a capacidade de os mosquitos Aedes aegypti se adaptarem ao meio ambiente e encontrarem novos locais para procriação.

Segundo a supervisora de equipe de agentes de saúde, Noemi Rueda, os mosquitos transmissores da dengue vão se adaptando com o passar do tempo e criando, inclusive, novas formas de criadouros. “O Aedes aegypti no começo não se adaptava ao clima frio. Com as pesquisas, percebeu-se que eles se adaptaram perfeitamente aos Estados do Sul. Lá também já existe infestação do mosquito, infelizmente. Então nós temos que correr atrás dessa adaptação que o inseto tem em relação à natureza e produtos químicos”, explica.

Rueda lembra que, com o controle efetivo da dengue, durante o período de duas décadas, alguns tipos de criadouros foram sendo eliminados mas, ao mesmo tempo, devido a essa adaptação natural do mosquito, os insetos encontraram outros locais para se procriarem e fazerem seus criadouros. “Nós temos muito problemas com as caixas d'água que estão em locais pouco visíveis. A pessoa esquece que a caixa d'água é um local que tem que ser constantemente revisto. Mesmo em caixas tampadas, hoje nós estamos percebendo que o cano 'ladrão', de escoar água, está servindo de veículo para que a fêmea entre e faça o criadouro no local”, revela.

O policial militar ambiental Ricardo Barbieri esteve no supermercado Panelão do Redentor e levou o filho Luan, de 6 anos, para assistir a uma demonstração das agentes de saúde sobre a dengue. Barbieri ressaltou que é fundamental que as crianças sejam educadas desde cedo sobre o assunto. “Se não tiver prevenção e educação nós não vamos ter uma sociedade melhor. Desde pequeno, a educação deve começar em casa”, disse, enquanto o filho observava um larvário apresentado por Rueda.

No larvário, foram colocadas larvas coletadas pelos agentes de saúde para fazer uma demonstração. A idéia, segundo a supervisora, é apresentar para as pessoas o ciclo do mosquito, o que são os ovos, as larvas, as pupas e o próprio mosquito Aedes aegypti adulto.

Somente no período da manhã, das 9h as 12h, mais de 200 pessoas foram orientadas pelas três agentes, que ficaram até 17h no supermercado.

A cabelereira Patrícia Kênnia dos Santos de Souza, 23 anos, foi uma das pessoas abordadas pelas agentes. A cabelereira lembrou que na região onde mora, no bairro Vista Alegre, ela soube de diversos casos de pessoas que contraíram a doença. “Onde eu moro já teve três casos que eu acompanhei pela TV. Eu costumo seguir todas as orientações que são dadas. Eu vou ao (Centro de Controle de) Zoonoses e eles me dão panfletos”, disse.

Além do supermercado, a campanha foi realizada em vários outros pontos da cidade com a distribuição de panfletos educativos.