08 de julho de 2026
Geral

‘Tirei a idéia de ser mãe da cabeça’

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

“Tomando a medicação dá para viver ainda muitos anos e viver bem”, afirma Cíntia (nome fictício), 33 anos, que há sete convive com o fantasma da aids. Ela é casada e o marido também é soropositivo.

Dois anos após o casamento, Cíntia decidiu iniciar um tratamento para engravidar. Segundo ela, a intenção era fazer uma surpresa para o marido. Ela procurou o médico e um dos exames requisitados por ele era o de HIV. E o resultado deu positivo.

Embora não fosse essa a surpresa que ela queria fazer para o marido, Cíntia teve de contar para ele e pedir que também fosse fazer o exame. O resultado foi o mesmo da esposa. “Na época, entrei em depressão profunda, fiquei internada e os médicos descobriram rapidinho vários tipos de doença, como anemia, pneumonia, bronquite. Me atacou um monte de coisa. Eu fiquei muito mal mesmo”, relembra.

Segundo ela, mesmo depois de sete anos, não dá para aceitar a aids. “É lógico, ninguém aceita. Mas a gente aprende a conviver com isso”, comenta. “Hoje, tenho muito mais amor e respeito por mim. Não tenho um pingo de vergonha do que tenho”, diz.

“Eu acho que se alguém me ama, vai me amar da maneira que eu sou, com o que eu tenho ou deixo de ter. Se alguém deixa de gostar de mim porque descobriu o que eu tenho, então essa pessoa na realidade não gostava de mim”, afirma Cíntia.

Ciente dos avanços da medicina, Cíntia não abre mão do tratamento com o coquetel, mas o marido não quer nem saber de médico. Ele continua levando a vida como se nada tivesse acontecido. Mas em uma coisa eles concordam: desistiram de ter filhos.

A decisão não foi tomada por causa do risco do filho nascer com o vírus, porque isso já é possível evitar com medicamentos. O motivo para a desistência do casal foi outro. “O médico falou para mim que se eu quisesse engravidar, ele continuava o tratamento. Mas toda mãe quer ver seu filho nascer, crescer, casar e eu acredito que não vou ver isso. Então, tirei essa idéia da minha cabeça e agradeço a Deus por não ter me dado um filho”, comenta