10 de julho de 2026
Política

Três negros são vítimas de preconceito e discriminação

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Desde anteontem, às vésperas do Dia da Consciência Negra, o Plantão Policial registrou três boletins de ocorrência com crime de injúria. Três cidadãos negros foram ofendidos e discriminados. O caso mais emblemático aconteceu na tarde de ontem na Vila Nova Esperança. Uma discussão entre vizinhos acabou na delegacia, com um homem de 71 anos sendo indiciado por chamar seu vizinho de “negro sujo”, “macaco” e dizer em tom de ironia: “você honra a cor que tem”.

A vítima é Ivanildo Adão, 37 anos. Ele mora com sua família na rua Urbano Arantes Figueiredo, bem em frente à residência de José Cardoso das Neves, 71 anos. Vizinhos relataram ao Jornal da Cidade que o idoso sempre é alvo de reclamações, especialmente por manter som alto em sua casa. Anteontem pela manhã, a Polícia Militar foi chamada por Adão, por conta do barulho.

De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais solicitaram que Neves abaixasse o som. Cinco minutos depois, ele voltaram para verificar se o idoso ainda mantinha o volume sob controle e encontraram Neves e Adão discutindo.

Os policiais surpreenderam o idoso ofendendo o vizinho. “Seu negro sujo. Você honra a cor que tem”, teria dito o idoso, segundo o que os policiais relataram no boletim de ocorrência. Levados ao Plantão Policial, Neves confirmou tudo o que disse contra Adão.

No início da tarde, o JC procurou o idoso, que negou ter dito frases racistas contra o vizinho, apesar do que está registrado na polícia. “Eu não sou preconceituoso. Até escrevi no meu muro que racismo é crime”, conta apontando o muro cheio de frases escritas por ele mesmo e enfeitado com bandeiras do Brasil.

Adão quer justiça. “Ele afirmou, na frente do escrivão de polícia, que não gosta de negros. Agora eu quero justiça. Quero que ele seja punido e vou até o fim”, assegura.

A intolerância ainda vitimou Aparecido César de Oliveira, segurança de uma casa noturna, na madrugada de sábado. Um cliente acusou o funcionário da casa de ter quebrado a lanterna de sua moto. Após a discussão, ele foi embora dizendo: “Olha a sua raça e olha a minha”. E durante uma discussão no Parque Nova Bauru, uma mulher foi ofendida por uma vizinha e teve seus filhos chamados de “macacos” e “ladrões”.