A chuva da tarde de ontem ajudou a refrescar o 1.º Festival Ouro Verde 100% Arte. Depois de horas de atividades culturais, dezenas de pessoas nem pareciam se importar com a água que desabava fora do galpão onde o grupo Guerreiros da Favela mostrava seu hip hop. Ao contrário, o público demonstrava que não faltariam energias para as apresentações das bandas Bonequinho, Serotonina e Música de Metro e da Bateria do Jardim Ouro Verde que ainda fariam seus shows.
Segundo dados dos organizadores, cerca de 1,5 mil pessoas passaram pela Chácara Recanto Verde, sede do evento, para prestigiar as performances do grupo de dança Street Power Dance, da Cia. Dramas e Folias, da banda Sem Mancada, dos violeiros Wagner e Marsal e da cantora Ana Person. “Tem gente do Vila Ipiranga, do Jardim Ferraz, do Jardim Vitória e vários estudantes universitários”, disse o coordenador musical do projeto Núcleo de Percussão Ouro Verde 100% Arte, Daniel Pereira.
Além das apresentações, o público pôde aprender com a arte por meio das oficinas de lambe-lambe, grafite, dança, circo e ioga, realizadas ao longo do dia.
O estudante e morador do Ouro Verde Jorge Viana de Lima, 17 anos, viu na oficina de lambe-lambe que, com força de vontade, todos podem fazer o que quiserem. “Eu nunca tinha feito nada semelhante e agora estou expressando meus sentimentos, desenhando”, contou o garoto, enquanto pintava um anjo.
O festival foi uma iniciativa do projeto Núcleo de Percussão Ouro Verde 100% Arte, que existe desde 2002 por meio da parceria firmada entre moradores e membros da Sociedade Amigos da Cultura (SAC). São cerca de 25 pessoas, de 4 a 33 anos, que ensaiam duas vezes por semana no centro comunitário do bairro.
“Conversando com membros do projeto notamos que o circuito cultural estava restrito ao Centro da cidade e idealizamos o festival. Com a experiência, devemos promover um circuito alternativo, levando a arte a outros bairros”, disse Pereira.
Durante o dia, estudantes de rádio e TV da Universidade Estadual Paulista (Unesp) fizeram registros visuais, fotográficos e sonoros que serão posteriormente destinados à comunidade para a criação de uma identidade cultural. “O bairro não tinha uma tradição cultural. Mas, com o projeto, teremos tudo registrado”, finaliza Pereira.