La Paz - Os governadores de seis dos nove departamentos da Bolívia, todos pertencentes à oposição, anunciaram ontem o rompimento do diálogo com o presidente Evo Morales, acusado de desrespeitar a Lei de Convocatória da Assembléia Constituinte ao aprovar, na última sexta-feira, o sistema de votação por maioria simples.
O governadores também se opõem a um projeto de lei impulsionado por Morales no Congresso que, se aprovado, permitirá ao Parlamento fazer moções de censura e até destituir governadores.
O partido MAS (Movimento ao Socialismo) tem a maioria dos parlamentares, embora esteja em minoria no Senado. “Romper relação com o Poder Executivo nacional e não atender a nenhuma convocatória que realize o senhor presidente da República enquanto não se modificar a linha governamental de desrespeito à lei e desestabilização institucional das autoridades eleitas pelo voto popular”, diz a nota.
O comunicado foi divulgado na madrugada pelos governadores de Santa Cruz, La Paz, Beni, Cochabamba, Tarija e Pando, onde vive 80% da população boliviana, estimada em 9 milhões de pessoas.
Os governadores da oposição rechaçam o regulamento da Assembléia, aprovado na sexta-feira pela maioria governista, segundo o qual todos os artigos constitucionais da nova Carta serão aprovados por maioria simples, o que livra o MAS de negociar com a oposição.