08 de julho de 2026
Articulistas

Prevenção com qualidade de vida


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No Brasil de milhões de habitantes, 102 milhões apresentam doença periodontal em algum grau - gengivite ou periodontite - e desses, 40 milhões apresentam periodontite. Apenas 50% dos casos de gengivite são detectados pelo cirurgião dentista. A gengivite é descrita como uma inflamação da gengiva por acúmulo de placa bacteriana sobre os dentes, onde a gengiva fica inchada e com sangramento na escovação O tratamento é feito com raspagem - limpeza- dos dentes e reeducação dos hábitos de escovação. Em alguns casos, a falta de tratamento adequado pode fazer com que esta evolua para uma periodontite que é quando a inflamação se estende para o osso que sustenta os dentes, causando sua reabsorção. A periodontite é uma doença silenciosa, não causa dor, por isso, quando está num estágio inicial as pessoas não percebem o problema ou percebem quando está num estágio avançado à presença de mobilidade, onde o tratamento é mais complexo.Em alguns casos, pode não haver como recuperá-lo, caso o dente esteja condenado. Alguns sinais que podem indicar a presença da doença periodontal são: gengiva avermelhada, inchada, podendo haver sangramento ao escovar os dentes, ao passar o fio dental ou mesmo espontaneamente; indício que o dente pode estar comprometido.

Por tudo isso as consultas periódicas ao dentista, pelo menos uma vez por ano, são recomendadas. Quanto mais cedo for detectada, mais fácil será o controle da doença e o risco de haver perda de dentes é menor. O tratamento depende da extensão do problema, do grau de comprometimento do suporte ósseio e também da saúde geral do paciente e sua cooperação. É preciso, portanto, que o paciente tenha consciência que possui a doença e da necessidade de reeducação da higiene bucal, criando assim, novos hábitos de escovação e cuidadados com a saúde bucal. O controle da doença não é só importante para a saúde bucal, mas também para a saúde geral e qualidade de vida do indivíduo. Estudos estão comprovando a relação entre infecções bucais, principalmente a periodontite e doenças cardíacas como o infarto. Recentes pesquisas demonstraram que algumas bactérias presentes na periodontite podem invadir os tecidos e libera substâncias que podem levar a um quadro de arteriosclerose ou alterar um quadro já estabelecido. Para se ter uma idéia, cerca de 40% dos casos de endocardite bacteriana tem origem de infecções bucais, sendo que o principal problema está na doença periodontal. A prevenção ou tratamento precoce é a melhor maneira de se evitar danos maiores à saúde.

A autora, Ângela Xavier, é cirurgiã dentista, periodontista pela USP e especialista pela Unesp - angyxavier@hotmail.com.