Preso durante o Congresso da UNE, em Ibiúna, em 1968, o então estudante da Faculdade de Direito da ITE-Bauru, Milton Dota teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça Militar acabando por ficar preso, durante dois meses, em diversos estabelecimentos prisionais da Capital paulista. Certo dia, estando recolhido no “Presídio Tiradentes”, quase foi o pivô de uma grande rebelião. Receberam a comida na cela e a mistura do dia era peixe. Milton cheirou e recheirou o rango, virou para os companheiros:
- Pessoal... este peixe tá podre...
Todos começaram a cheirar e chegaram à mesma conclusão. Jogaram a comida fora, começando a gritar:
- O peixe tá podre!!!!! O peixe tá podre!
Em questão de minutos todo o pavilhão protestava contra a comida estragada, com os presos comuns creditando a descoberta aos estudantes. Gritaria, tumulto, batiam nas grades com aquilo que achavam, transformando a prisão em um verdadeiro barril de pólvora. O diretor da prisão, coronel Fernão Guedes, dirige-se à cela dos estudantes, indagando:
- Quem falou que o peixe está podre?
- Fui eu mesmo, responde Dota.
- E o que o senhor entende de peixe?
- Muito, sou considerado o melhor pescador lá do “Clavinote”...
- Ah é... prova que tá podre...
Dota não se vexou. Dirigiu-se ao local onde estava a mistura, pegou um pedaço de peixe, estendeu a mão para fora da grade dizendo:
- Cheira, cheira então a porcaria que nos serviram... tá ou não tá podre?
Dizia, tentando aproximar o peixe do nariz do Coronel que recuava repugnado com a aparência e cheiro do mesmo...
Contada por Antonio Pedroso Júnior - www.chineloneles.blogspot.com