A precariedade da Defesa Civil de Bauru dominou a sessão de ontem da Câmara Municipal. Os vereadores não pouparam críticas ao Executivo, já que o órgão é ligado diretamente ao Gabinete do prefeito, mas nem assim tem as condições necessárias de trabalho. Apontando os dedos para o 3o andar do Palácio das Cerejeiras, os parlamentares criticaram a falta de comunicação entre o Executivo e o Coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, e a política de “economia” imposta pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido).
Para os vereadores, passou da hora do prefeito tomar uma atitude mais firme, visando resolver o problema, enquanto a época de chuvas está apenas começando. Primo Mangialardo (PV) afirmou que o maior problema é o relacionamento entre o coordenador da Defesa Civil e o Gabinete, leia-se o chefe de Gabinete, Paulo Canalli. “Parece que só trabalha na Prefeitura quem é amigo do Canalli”, disse Mangialardo.
Ele também criticou o coordenador da Defesa Civil. Segundo Mangialardo, há anos Álvaro de Brito reclama da situação do órgão, sem que se apresentasse soluções. “Toda vez que o coordenador fala, ele reclama. Há anos escuto falar dos problemas da Defesa Civil. Nós precisamos de alguém que vá ao Gabinete e converse, não que mande ofícios”, disse o vereador, em referência às queixas de Brito, de que já solicitou, por ofício, um motorista e mais materiais para a prefeitura.
Aparelho adequado?
Outro questionamento foi feito pelo vereador Rodrigo Agostinho (PMDB). Ele afirma ter enviado vários requerimentos ao prefeito Tuga Angerami, para saber a real situação da Defesa Civil. De acordo com Agostinho, em 18 de setembro a Prefeitura enviou ofício dizendo que o órgão tem os aparelhos adequados para atender a população. “Mas não foi o que se viu ontem (domingo)”, ressaltou.
Na esteira das críticas, Agostinho cobrou novamente que o Executivo “abra a mão” para atender as necessidades do Município. “Sabemos das dificuldades, mas isso não justifica a economia”, frisou.
Antônio Faria Neto (PDT) e Arildo Lima Júnior (PP) também cobraram estruturação da Defesa Civil, que apresenta os mesmos problemas há anos, segundo eles. “É preciso aparelhar, não só a Defesa Civil, mas também o Corpo de Bombeiros. Quando nós defendemos essas instituições, estamos na verdade defendendo a população, que é quem mais sofre nesse período de chuvas”, disse Lima.