Há 20 anos, uma das principais avenidas da cidade, a Nações Unidas, trocava o seu habitual trânsito pela fantasia dos carnavalescos que agitavam a população de Bauru e região. Depois do jejum de cinco anos sem Carnaval no Município, a avenida pode colorir-se novamente de foliões e receber, no próximo ano, o agito da festa mais popular do Brasil.
Enquanto o desfile das escolas de samba da cidade ainda é uma incerteza, a diversão da população pode ser garantida por pelo menos duas noites, com a presença de um trio elétrico que percorrerá a Nações Unidas no sábado e na segunda-feira de Carnaval.
A proposta é do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB). “Bauru não pode ficar mais um ano sem Carnaval. Pelo menos o trio elétrico, eu garanto. Vamos fazer um belo Carnaval popular a exemplo das experiências bem-sucedidas na região”, garante o deputado.
Para animar a folia, o samba do Grupo Sereno. “Vamos trazer a alegria para Bauru novamente! Temos 14 anos de estrada, mas nunca participamos do Carnaval daqui. Será um prazer tocar na nossa própria cidade”, comemora o vocalista e também um dos organizadores do projeto, Julinho.
Os recursos para a festa devem ser levantados junto ao empresariado e poder público locais. “Nós pensamos em uma estrutura simples, sem arquibancadas, no formato do Carnaval baiano”, coloca Julinho, que deve se reunir com Pedro Tobias e com o vereador Paulo Madureira (PP) na próxima semana para acertar os detalhes da festa. “Pedro Tobias nos deu sinal verde para desenvolvermos o projeto. Agora devo me encontrar com o Julinho para corrermos atrás de patrocínio e de toda a infra-estrutura necessária”, diz o vereador.
Se tudo der certo, será a oportunidade da população criar novas memórias e reviver antigas, como a do costureiro Roberto de Godoy, que trabalhou em 19 carnavais. “O Carnaval na avenida tinha outra alma. Era uma festa society porque reunia pessoas bonitas, de classe”, disse em entrevista concedida no primeiro semestre ao JC Cultura.
Sambódromo
A tradição da festa popular era tão forte em Bauru que, em 1992, foi construído o Sambódromo, segundo no Brasil, perdendo apenas para o da cidade do Rio de Janeiro. O que seria um motivo de festa para os foliões representou, para muitos, o túmulo da festa na cidade, com a transferência dos desfiles da Nações Unidas para o núcleo Geisel.
“O Sambódromo pode até ter uma infra-estrutura melhor, reduzindo os custos. Mas é afastado, enquanto a Nações é o símbolo de Bauru, exaltada até pelo astronauta Marcos Pontes quando estava no espaço”, diz Julinho.
“O Carnaval na Nações Unidas era bem melhor do que no Sambódromo, porque era mais popular”, complementa Tobias.
O carnavalesco José Horácio Gonçalvez também chama a atenção para o abandono do local. “O Sambódromo parece um elefante branco, sem utilidade. Fomos o segundo Sambódromo do Brasil e hoje está jogado às traças”, lamentou em entrevista concedida ao JC Cultura. A Secretaria de Esportes e Lazer pretende implantar quadras esportivas no espaço, mas as obras ainda não começaram.
Já para a teatróloga e socióloga Dora Girelli, responsável por quase todos os enredos das escolas de samba entre 1988 e 2000, seria um erro realizar um Carnaval nas Nações Unidas. “Se existe um espaço em que foi gasto dinheiro público para ser construído apenas para a realização da festa, por que fazer em outro lugar?”, questionou à reportagem no primeiro semestre.
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Segurança
De acordo com o major Nélson Garcia Filho, subcomandante do 4.º Batalhão da PM do Interior (BPMI), a polícia acompanhará a população tanto no Sambódromo quanto num eventual Carnaval de rua, na avenida Nações Unidas. Porém, ele ressalta que o Sambódromo é mais adequado quanto à questão de segurança. “Ele foi construído para isso. A polícia já tem o know-how de lá. Além disso, no Sambódromo podemos proibir a circulação de garrafas de vidro”, avalia.
Para realizar um Carnaval de rua, além da segurança da população, é preciso desviar o fluxo de carros que transitam pelo local. De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), para uma festa na avenida Nações Unidas, é necessário protocolar um pedido de interdição das vias na Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). Então, a Emdurb é acionada para verificar como serão realizados os desvios e os trajetos de ônibus. Caso a festa permaneça no Sambódromo, a Emdurb explica que apenas uma rua paralela ao local é interditada, para limitar o acesso de carros.
Lígia Ligabue