Demitido da coordenação da Defesa Civil de Bauru nesta semana após quase 14 anos no cargo, Álvaro de Brito continua no órgão, mas na esfera estadual. Há cerca de 30 anos ele é adjunto da Coordenadoria da Defesa Civil da 7.ª Região, órgão que tem a função de atuar em situações de risco com orientações e ser o elo entre os governos municipais e estadual em 39 municípios da região de Bauru.
Voluntário da Defesa Civil Estadual, Brito é um dos três coordenadores da 7.ª Região, cargo no qual continua apesar de estar fora da Defesa Civil de Bauru e da administração pública municipal. “O objetivo dos adjuntos da Defesa Civil Estadual é que as cidades sejam mais seguras. E isso inclui, por exemplo, orientações aos prefeitos sobre áreas de risco e como proceder e ser um elo entre o município e a Defesa Civil Estadual para obter verbas”, explica.
Brito, que foi demitido na segunda-feira pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido) depois de ter criticado a administração municipal pela estrutura precária fornecida à Defesa Civil de Bauru, vai aproveitar o resto do ano para cuidar da saúde, descansar e estudar propostas de trabalho. “Estou com a pressão arterial alta, preciso emagrecer e cuidar da gastrite e bronquite adquiridas nestes anos de serviço em que estava quentinho na cama e, de uma hora para outra, saía na chuva. A capa é só para não se encharcar de uma única vez, porque evitar a molhadura não tem jeito”, comenta.
Conhecido como o homem da capa amarela na cidade por causa da cor do sobretudo de proteção da chuva, Brito estuda propostas para dar aulas, assumir programa de rádio e até trabalhar com reflorestamento. Formado em geografia, ele foi radialista por 17 anos em Bauru e já lecionou nas redes estadual e particular. “Continuo à disposição da população e, na segunda quinzena de janeiro, decido o futuro”, planeja.
Sem esconder que saiu da administração municipal chateado, Álvaro de Brito reafirma que a Defesa Civil precisa de estrutura maior. “O ideal – e há tempos estamos solicitando – é a Defesa Civil ter uma base, mas agora até o básico está comprometido. A viatura está em condições precárias e até combustível está racionado. E em alguns dias de chuva é preciso andar de um lado para o outro para verificar as situações de risco e orientar a população. Lembro-me de uma ocasião em que, em um único dia, rodei 570 quilômetros. Não adianta a boa vontade do carpinteiro se falta prego, madeira”, compara.
No domingo à noite, quando Bauru viveu o primeiro temporal deste período, o telefone celular da Defesa Civil não fazia ligações por um problema no pagamento da conta. “Recebi críticas do Primo (vereador Primo Mangialardo) de que só fazia requerimentos, mas ele como vereador sabe que toda solicitação tem que ser documentada tamanha é a falsidade no meio político”, ressalta.
Sobre o trabalho à frente da Defesa Civil, Brito faz um balanço: “Foram 54 mil pessoas atendidas nestes quase 14 anos e fiz muitos amigos. Fiquei, inclusive, emocionado com manifestações de apoio que recebi após ser demitido”, comenta.
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Alerta
Conhecendo Bauru, da periferia à zona sul, como poucos, Álvaro de Brito é taxativo ao dizer que sua maior preocupação é com os moradores de barracos às margens do córrego da Grama, no Parque Jaraguá. “São 68 famílias que há anos estão em área de risco. Algumas casas estão a um metro da erosão e podem ser engolidas por ela”, alerta.
Para o ex-coordenador da Defesa Civil em Bauru, o ideal era priorizar estas famílias no projeto de desfavelamento iniciado pela prefeitura neste ano com a declaração de desapropriação de terrenos para assentar moradores do Jardim Ivone. “Em ambos os bairros, a situação é de pobreza, mas no Parque Jaraguá há risco de desabamento”, analisa.