Se depender da maioria dos comerciários, o bauruense terá até o dia 23 de dezembro – uma sexta-feira – para fazer as compras de Natal. A categoria está se mobilizando para que as lojas do Calçadão da Batista de Carvalho e adjacências não abram na véspera do feriado.
Os trabalhadores estão fazendo um abaixo-assinado para pressionar os comerciantes a cederem à solicitação de cancelar o expediente no dia 24 do mês que vem. Segundo informações do Sindicato dos Comerciários, são vários os motivos que estão levando a categoria a rejeitar a determinação de trabalhar no dia 24 de dezembro.
Conforme a entidade, os empregados alegam que já estariam muito desgastados na véspera de Natal para trabalhar até as 17h. No próximo dia 6, o expediente comercial será estendido para as 22h e as lojas abrirão também aos domingos. “A maior parte ou 65% das reclamações vem de mulheres, que querem passar a véspera de Natal com os filhos e o marido”, informa o assessor de comunicação do sindicato, Edson Quintiliano Júnior.
Outro problema apontado pelos comerciários é que nem todos recebem o valor correto pelas horas extras trabalhadas no período noturno ou são contemplados com dias de folga, como prevê a legislação. “Muitos dos nossos associados são prejudicados por isso, embora sabemos que não são todos os comerciantes que agem dessa maneira”, acrescenta Quintiliano.
O assessor adianta que hoje o sindicato vai protocolar um ofício no Ministério do Trabalho pedindo uma audiência, intermediada pelo órgão, com o setor patronal. “Queremos uma mesa-redonda para resolver esse impasse”, destaca.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) de Bauru, Walace Sampaio, não foi encontrado para falar sobre o assunto. Mas de acordo com o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, a abertura do comércio no período noturno nesta época do ano está assegurada em lei.
“É um direito deles não querer trabalhar (no dia 24 de dezembro). Mas nós temos aqui em Bauru uma legislação que deixa a liberdade de trabalhar (neste período) à escolha do comerciante. Desde que se esteja cumprindo a lei, não tem como nem o porquê de contestar o trabalho na véspera de Natal”, ressalta. Conforme dados do Sindicato dos Comerciários, cerca de 1.700 pessoas trabalham em estabelecimentos comerciais em Bauru.