08 de julho de 2026
Política

Prestígio de tesoureiro é questionado

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

A permanência de João Antônio Gonçalves na Secretaria das Administrações Regionais (Sear) está sendo muito questionada por vereadores. Apesar de manterem a postura de cautela, que tem marcado os comentários dos parlamentares sobre as denúncias de supostas irregularidades na pasta, alguns não conseguem entender – ou entendem tudo mas esperam novos fatos - porque o prefeito Tuga Angerami (sem partido) não utilizou com Gonçalves o mesmo critério com o concedido ao próprio secretário Nelson Fio, “convidado” a tirar férias enquanto as denúncias são investigadas.

Conforme o JC apurou, Gonçalves goza de prestígio junto ao prefeito há muitos anos, tendo atuado como financeiro da Cohab até antes e durante a passagem de Tuga Angerami pela presidência da companhia, ainda em 1989. Ele também colaborou com a arrecadação da campanha de Angerami em 2004 e, neste ano, atuava no setor que mais conhece na Sear, o controle de despesas.

Para os vereadores, a diferença de tratamento tem que ser explicada pelo prefeito, até para que não pairem dúvidas sobre o assunto. “Precisa explicar porque não afastou. Por quê agiu diferente com esse diretor? Não sei, mas espero que o prefeito aja de forma a não deixar nenhuma pendência neste caso, e se houver fatos que comprovem as denúncias, os envolvidos devem responder”, disse Arildo Lima Júnior (PP).

O assunto é espinhoso e alguns vereadores preferem não falar abertamente sobre o assunto, mas se sentem incomodados com a postura do prefeito. Os parlamentares entendem que ao dar férias a Nelson Fio e manter Gonçalves no cargo, sabendo que ele esteve no comando das despesas da Sear, principal foco de investigação, o prefeito fica em uma situação difícil.

O vereador José Carlos Batata (PT) foi irônico. Para ele, o fato de João Gonçalves ser mantido na Sear mostra que o prefeito Tuga Angerami tem muita confiança nele. “Só tem uma explicação. A confiança do prefeito nesse João Gonçalves é muito grande, senão ele já teria caído”, disse.

João Parreira (PSDB) também defendeu o afastamento, caso haja indícios de envolvimento de Gonçalves no caso. “Não sei se ele está envolvido, mas se houver indícios de envolvimento sou a favor do afastamento até que se apurem as denúncias”, destacou.

Sem pressão

Os vereadores descartaram qualquer movimento para derrubar o chefe de Gabinete, Paulo Canalli, em troca da não abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI), embora alguns, ao pé do ouvido, defendam essa medida e outros até abertamente. Os parlamentares consultados não consideram a hipótese e não acreditam que algum colega tenha sugerido essa troca de favores. “Não tem acordo, não passa pela cabeça de ninguém propor uma troca desse tipo”, disse Paulo Madureira.

Para Lima Júnior, o fato é especulação, mas ele pediu que o chefe de Gabinete reflita sobre o que vem sendo dito nos últimos dias e faça autocrítica. “Querem generalizar as denúncias em cima dele (Canalli), por isso ele precisa refletir sobre sua postura como homem público e fazer essa autocrítica”, frisou.

Já o vereador Primo Mangialardo (PV) acredita que o prefeito Tuga Angerami deve tomar alguma providência nos próximos dias. Ele defendeu a saída de Canalli da Chefia de Gabinete, trocando de posição com o vereador Antônio Faria Neto (PDT). “O Faria conhece bem a administração e seria muito bom para o prefeito e para o Canalli passar uma temporada aqui, até para a gente saber quem é o líder do prefeito na Câmara”, ressaltou.

A possibilidade de ocupar o cargo não agradou Faria Neto. Segundo ele, mesmo que fosse convidado não aceitaria. “Não houve convite, e se houver, não vou”, disse.

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Nélson Fio na Câmara

O secretário das Administrações Regionais, Nelson Fio, passou a manhã de ontem na Câmara Municipal, novamente. De acordo com vereadores que estavam no prédio, Fio teria ido buscar apoio dos parlamentares e tentar convence-los de que não está implicado com as denúncias de supostas irregularidades na Sear.

De acordo com Faria Neto (PDT), com quem o secretário passou boa parte do tempo, Fio não demonstrou preocupação com as investigações na Sear. “Ele fez a parte dele e encaminhou os problemas ao prefeito. O Fio é correto e está tranqüilo”, disse.

É o segundo secretário que vai à Câmara em dois dias. Anteontem, foi o secretário de Cultura, José Augusto Vinagre, que esteve na sede do Legislativo conversando com vereadores, para assegurar que não há nada errado com a pasta comandada por ele.

Mas pessoas próximas ao secretário em férias comentam que Fio está intranqüilo e receia pela abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI). A comissão, por sinal, nem o prefeito quer, por saber que não há como controlar o alvo e o conteúdo desse tipo de apuração.