10 de julho de 2026
Política

Grupo pede saída de Garmes e Parreira

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

A reunião de ontem do diretório do PSDB de Bauru se transformou numa ocasião para lavagem de roupa suja, críticas, autocríticas incisivas e manifestações contrárias à permanência dos vereadores Toninho Garmes e João Parreira de Miranda no partido.

A ausência de Garmes e Parreira, apesar de justificadas, instigou muitos militantes a rechaçarem as atitudes “antipartidárias” de ambos e a pedir a expulsão dos dois tucanos. “Eles têm que sair do PSDB. Não são comprometidos com o partido”, reclamou um dos presentes, exaltado, lembrando que os parlamentares têm atualmente uma atuação muito mais ligada ao prefeito Tuga Angerami (sem partido) do que ao partido. “É verdade, eles estão em dívida com a gente”, emendou outro tucano, indignado.

Parte da militância também fez críticas à dupla por conta das atitudes tomadas em relação à criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis irregularidades nas secretarias das Administrações Regionais (Sear) e Cultura. Dirigentes do PSDB atuaram no sentido de acalmar os ânimos durante toda a reunião.

Garmes, que atualmente ocupa a presidência da mesa da Câmara Municipal, alega que não foi à reunião porque tinha um compromisso inadiável com amigos de infância, uma partida de futebol comemorativa da Portuguesinha, lendário clube do futebol amador de Bauru. Salientou ainda que comparece com freqüência aos encontros do partido.

“Conforme foi publicado hoje (sábado) no JC, eu não fui na reunião porque há exatamente um ano me comprometi a ir na festa da Portuguesinha, um time de futebol de meus amigos de infância. Mas não tenho preocupação com quem discorda da minha atuação partidária”, ressaltou o vereador, por telefone.

Parreira, no entanto, disse – também por telefone – que teve de substituir o compromisso partidário pelo trabalho. “Algumas pessoas podem ter essa opinião, porque o PSDB é um partido democrático. Mas o PSDB tem por hábito agendar as reuniões aos sábados de manhã, a partir das 10h. Eu trabalho. Hoje (ontem), por exemplo, eu tinha que trabalhar no meu escritório. Não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo”, destacou. O vereador ainda complementou alegando que o fato de não ter ido à reunião não significa que esteja mal sintonizado com os tucanos.

Quanto às críticas recebidas sobre o posicionamento com a instauração de uma CEI, Garmes foi categórico. “Vou responder pela milésima vez: algumas pessoas não compreendem qual tem que ser a postura do presidente do Poder Legislativo. Só posso lamentar e dizer a essas pessoas: infelizmente”.

Já Parreira ressaltou que todas as medidas necessárias foram tomadas no sentido de se apurar as irregularidades ocorridas na Sear.

“Não sou conivente com o prefeito e muito menos o prefeito tem sido conivente com as irregularidades. Essas pessoas que sugerem isso, falam por falta de conhecimento ou má-fé. Não me permito ser conivente com nada errado. Não é do meu ímpeto. O dia que eu tiver que ser conivente com alguma coisa errada, abandono a vida pública”, enfatizou.

No mais, os tucanos também insistiram em justificativas para a derrota do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin na disputa pela presidência da República. Para muitos, faltou estratégia e mais coesão entre o tucanato.