Eu era uma pessoa fechada, nunca conseguia me expressar direito com as pessoas. Sempre fui muito insegura e tenho tendências depressivas. Entre essas e outras, tive um amor platônico, quer dizer, não foi bem amor, mas durou dos 12 aos 16 anos.
Eu escrevia muitas cartas para amigos distantes, era uma forma de desabafar, e eu me sentia à vontade me correspondendo com pessoas de várias cidades. Assim conheci uma pessoa que marcou minha vida! Eu havia acabado de completar 16 anos. Através de cartas falávamos de nossas vidas, nossa família, descobrimos muitas coisas um do outro, e similaridades incríveis!
Dentro de pouco tempo éramos grandes amigos. Acho que o que intensificou ainda mais foi quando ele passou por uma enorme dificuldade e me pediu ajuda. Mas nunca tínhamos nos visto pessoalmente.
Quando percebi estava sentindo uma enorme saudade, sonhava acordada com seus abraços, com seu jeito, seu cheiro... Quando me dei conta, estava apaixonada. E fiquei emocionada quando descobri que era correspondida!! Nosso sentimento ficou mais nítido e exposto em cada carta, eram palavras tão lindas! Mas eram só palavras, e eu não sabia, eu não sabia que eram só palavras, que não passavam do papel.
Como podia? Isso não podia estar acontecendo, duas pessoas que nunca se viram, como podiam estar apaixonadas? Nosso sentimento já não cabia mais nas cartas, precisávamos nos ver. Ah, eu sonhei tanto com nosso encontro!
Infelizmente, nosso encontro não foi como havíamos imaginado, já havia outros planos em seus pensamentos, eu já não estava mais incluída neles, eu já não estava presente nos seus sentimentos... Foi muito tarde ou muito cedo? Até hoje não sei. Eu senti que quando nos encontramos ele queria me dizer alguma coisa, eu também queria dizer, ou simplesmente abraçá-lo e dizer que eu queria ficar do seu lado, mas tive medo e hoje vejo que ele também estava com medo.
Acho que nosso maior erro foi permitir que as coisas fossem rápido demais, não tivemos tempo para olhar ao nosso redor, só pensamos em nós dois, só aí foi possível pensar na distância que nos separava, pensar em nossos pais, nossa família... só aí notamos nossa diferença, porque o nosso amor passou de sonho para realidade, realidade que virou um pesadelo para mim. Éramos duas crianças pensando apenas no momento, e olha só no que deu!!
Conversamos e ele achou melhor dar um tempo para pensar seriamente na nossa história, ficou combinado que seríamos apenas amigos por enquanto, para que pudéssemos nos conhecer melhor, com o coração apertado e os olhos transbordando aceitei. Mas no meu pensamento, dentro de mim eu não queria, tinha medo de perdê-lo, mas eu burra, ingênua e medrosa não tive coragem de lutar e relutar seu pedido, passou dias, semanas, meses e “éramos somente amigos”, nos tratávamos como simples amigos, e eu sofria por dentro morrendo de vontade de gritar e dizer o que eu sentia, mas preferi sofrer calada com medo do que ele poderia me dizer, confirmar em palavras o que eu já pressentia: “que já havia te perdido”... Já não era mais a mesma coisa, éramos frios um com o outro, as cartas já não eram mais tão freqüentes, eu ficava o tempo todo vasculhando em suas cartas procurando algo que me fizesse acreditar que ainda existia sentimento, mas foi inútil, não demorou muito e aquelas palavras ficaram gravadas no meu pensamento: “Tudo o que aconteceu entre nós dois foi legal, mas foi empolgação que já passou, hoje vejo em você apenas uma grande amiga, me desculpe eu nunca menti para você...” E assim tudo terminou.
Nossa última conversa foi em dezembro de 2004, ficamos mais uma vez frente a frente, brigamos e nunca mais nos falamos. Depois recebi notícias suas me informando que estava sozinho e mais uma vez em suas crises de depressão. Escrevi para ele, mais uma vez nossa conversa acabou em briga e nossas vidas tomaram rumos diferentes.
Passou 1 ano e eu ainda chorava de saudade. Me fechei com medo de sofrer. Me tornei uma pessoa comunicativa, conquistei várias amizades, passei a ter o dom do carisma e da simpatia. Fechado apenas ficou meu coração...
Dentre tantos amigos, conheci um que quis saber de toda a minha história. Esse amigo sim eu tinha contato físico, pois sempre estava por perto, por várias vezes agüentou e suportou forte minhas recaídas, me ajudou, me ensinou a recomeçar, me ensinou a rir de verdade, invadiu minha vida decidido ficar, permanecer. Daí eu soube que na verdade nunca tinha amado de verdade! Soube desde então o que é realmente ser amada...
Esse alguém foi você meu amor! Lembro do dia em que você disse o que sentia por mim e eu levei um grande susto! Você disse que queria me fazer feliz e que ao seu lado eu não teria mais depressão e eu ri de você! Mas eu fiquei com medo, lembra? Disse para você que não queria mais sofrer, relutei por várias vezes a mim mesma, ordenei meu coração para que não gostasse de você.
Mas de repente me pegava parada pensando em você, e querendo fazer de seus braços minha casa, meu refúgio... fiquei assustada! Pensei que pudesse ser apenas carência. Mas não, você foi muito mais que isso; você modificou meu mundo, apagou vestígios da minha vida desiludida. Pegou meu coração em suas mãos e com carinho o reconstruiu.
Hoje sei que tudo que passei foi apenas uma ponte, uma forma de chegar até você pronta para o verdadeiro amor. Tudo que passei foi para fazer valer a pena, para valorizar o sentimento que existe entre nós dois. Hoje vem nascendo dentro de mim um sentimento que vai me mudar para sempre, eu sei que você é o único que pode me fazer feliz.
Logo ficaremos juntos outra vez, e vou poder te abraçar para sempre para nunca mais te deixar, e ter você só para mim e eternamente sua eu quero ser. Porque eu te amo, te amo a cada dia mais. Você me ensinou que quando o amor é verdadeiro ele nos faz sorrir e acreditar que tudo é possível desde que você ame... desde que você ame muito!
Te amo... para sempre.
Erica