09 de julho de 2026
Regional

Gonçalves: ‘Me livrei da morte’

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O motorista Valter Gonçalves, 40 anos, gostava de pescar até viver a triste experiência de encontrar uma cobra sucuri em seu caminho, ou melhor, na beira do ribeirão Claro. “Era véspera do meu aniversário, dia 21 de outubro. Eu e mais três amigos fomos pescar. Eu estava com água pela cintura quando senti algo gelado se enrolando em mim.”

A sucuri pegou na altura da cintura do pescador e tentou puxá-lo para dentro da água. “Nós lutamos dentro da água por alguns minutos. Meu amigos saíram correndo porque acharam que era um jacaré. Eles chegaram a ver a sucuri.”

Gonçalves conta que no momento em que a cobra alcançou seu pescoço, ele conseguiu pegá-la. “Ela pretendia me enforcar. Mas eu consegui colocar a cabeça para fora, já estava afogando. Agarrei a sucuri e fui apertando a parte abaixo da cabeça dela. Acredito que peguei no lugar certo, porque senti que ela afrouxou.”

Foi o golpe final do pescador. “Se ela não afrouxa eu tinha morrido, porque estava ficando sem respiração”. As unhas do pescador ficaram cheias de escamas. “Eu apertei a cobra com muita força. Naquele momento era ela ou eu. Arranjei força além da minha capacidade.” Gonçalves acredita que a sucuri que o pegou tinha entre quatro e cinco metros de comprimento. “Foi a situação mais difícil que já vivi”, confessa.

Perdi dois dentes

A luta entre o pescador e a cobra durou minutos e não foi registrada em imagens. “Ninguém estava prevenido para o aparecimento da sucuri. Estávamos acostumados a pescar e nunca aconteceu nada.”

Mas as marcas do ‘abraço’ da cobra ficaram no corpo do pescador. “Depois que a sucuri me soltou, sai correndo e cai. Bati a boca e perdi os dois dentes da frente.”

Além dos dentes, Gonçalves garante que o “aperto” da cintura ficou marcado em sua pele. “Durante vários dias ficaram as marcas. Eu estive no Pronto-Socorro para ser medicado, porque sentia muitas dores. Cheguei a urinar sangue.”

A sorte estava do lado dele. “Eu tive muita sorte, porque além de vencer a sucuri, um dos meus amigos me levou para a casa da irmã dele, que ficava muito perto. Lá ela me deu um remédio para vomitar. Eu vomitei pedaços de aguapé e muita água suja que engoli.”