07 de julho de 2026
Nacional

Comando do espaço aéreo é trocado

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Caiu o comando do Departamento do Controle de Espaço Aéreo (Decea). Por conta da crise aberta entre a Aeronáutica e os controladores de vôo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a demissão do diretor-geral do Decea, tenente-brigadeiro-do-ar Paulo Roberto Cardoso Vilarinho, e do vice-diretor do órgão, major-brigadeiro-do-ar Ailton dos Santos Pohlmann. As exonerações foram publicadas no “Diário Oficial” da União na última sexta-feira.

No mesmo dia, Lula nomeou para comandar o Decea o major-brigadeiro-do-ar Paulo Hortênsio Albuquerque e Silva, que até então estava à frente do Terceiro Comando Aéreo Regional. Procurado, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, disse que não comentaria as mudanças. O estopim da crise instalada entre os controladores e a Aeronáutica foi o acidente com o Boeing da Gol, que levou à morte dos 154 passageiros e tripulantes em 29 de setembro.

O conflito se acirrou com a operação-padrão dos servidores, em sua maioria militares, que tem provocado sucessivos atrasos nos vôos e conseqüentes tumultos nos aeroportos. Irritado com a situação, Vilarinho chegou a dar ordem para o aquartelamento dos controladores militares nos feriados de Finados e da Proclamação da República.

Em demonstração de força, durante o segundo aquartelamento, os controladores intensificaram a operação-padrão, o que levou a Aeronáutica a suspender a ordem. Contou para o acirramento da crise também as declarações de Vilarinho de que não existe “zona cega” no sistema de controle do tráfego aéreo, como alegaram os controladores responsáveis pelo acompanhamento da rota do boeing da Gol e do Legacy, no trajeto que levou à colisão das aeronaves.

Ouvidos pela Polícia Federal nos últimos dias, 13 controladores de vôo de São José dos Campos, local de decolagem do Legacy, e de Brasília, onde aterrissaria o Boeing, colocaram o desastre na conta de um “buraco negro” na região amazônica, que foge ao controle do sistema usado pelo Decea. Para a PF, houve “alguns” erros dos controladores. Quanto ao “buraco negro”, a investigação policial irá requisitar um laudo técnico para verificar se isso existe ou não.

A possível falha humana levou o governo a destacar uma equipe de advogados para acompanhar a investigação policial. Eles estão se preparando para, em caso de comprovado o erro humano, atuar em eventuais ações de indenização que os familiares das vítimas devem apresentar contra a União. Historicamente, os controladores reclamam da carga horária excessiva de trabalho para uma atividade de tamanha responsabilidade e na qual se submetem a constante tensão. Estão em atividade atualmente 500 operadores civis e 2.500 militares.

Segundo a associação que representa a categoria profissional, seriam necessários mais 500 controladores para dar conta do serviço. Os operadores de vôo também defendem que a atividade passe para a esfera civil, o que poderia facilitar aumento para os salários que hoje estão na casa dos R$ 2 mil.

Rotina

O ministro da Defesa, Waldir Pires, negou ontem que o afastamento de Vilarinho seja resultado da crise no setor nas últimas semanas. “A troca do chefe dos controladores é uma medida de rotina”, disse Pires em São Paulo.

Segundo ele, o governo está fazendo todo o esforço possível para deixar a população tranqüila e fazer com que o serviço de transporte aéreo volte a funcionar normalmente. Sobre a possibilidade de contratar mais controladores de vôos civis, Pires disse que o tema está em estudo.