08 de julho de 2026
Geral

Bauru é celeiro de invenções práticas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Considerado um importante pólo universitário e referência regional na área médica, Bauru tem outra vocação. A cidade é centro de invenções simples que, em sua maioria, tornam a vida das pessoas menos complicada. São produtos que, apesar da sua importância, muitas vezes permanecem no anonimato. Ou seja, poucos ficam sabendo que eles existem ou que foram criados em Bauru.

Um levantamento feito pelo Jornal da Cidade descobriu em poucos dias pelo menos oito invenções, a maioria na área médica, o que justifica o reconhecimento da cidade como centro de excelência nesse setor.

Entre os produtos descobertos pelo JC estão o estesiômetro, cadeira de rodas de três posições, kit para melhorar a fala, bráquetes para tratamento ortodôntico, pedal contra varizes e assento para crianças com paralisia cerebral, entre outros.

O estesiômetro foi criado pelo coordenador de desenvolvimento de produtos especiais da Sorri, Anthony Robert Joseph Nicholl. Trata-se de um kit utilizado para testar a sensibilidade da pele. Por meio dele é possível descobrir se o paciente corre o risco, por exemplo, de desenvolver hanseníase.

A perda da sensibilidade nas mãos e nos pés pode provocar lesões sérias e levar a deformidades físicas irreversíveis com risco de amputação.

Simples de usar, o estesiômetro é um conjunto de seis monofilamentos de nylon, todos com o mesmo tamanho (cerca de seis centímetros), cores e diâmetros diferentes, que exercem forças de 0,05 gramas a 300 gramas quando aplicados sobre a pele. Eles servem para medir o grau de insensibilidade da pele e, desta forma, indicar qual tratamento deve ser receitado.

Reconhecido pela sua qualidade e baixo custo, o estesiômetro da Sorri é exportado para países da África, além de Inglaterra e Portugal. O kit produzido em Bauru custa R$ 45,00 – dez vezes menos do que os outros que existem no mercado, segundo informou a administradora-geral da Sorri, Maria Elisabete Nardi.

O produto é direcionado aos profissionais que trabalham no diagnóstico da perda de sensibilidade, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, neurologistas e dermatologistas, entre outros.

O produto foi patenteado pela Sorri e é reconhecido pelo Ministério da Saúde. A renda obtida com a venda do estesiômetro, segundo a entidade, é revertida aos programas de reabilitação de pessoas com deficiência.

O material é feito por funcionários da própria Sorri, que produzem cerca de 300 kits todos os meses.

Fala nova

Outro kit desenvolvido em Bauru, mas que ainda não está sendo comercializado, é “A turma nova da fala”, da fonoaudióloga Maria Cristina Zimmermann, da equipe interdisciplinar do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais do Centrinho.

O material é utilizado no tratamento do distúrbio da fala em paciente com fissura labiopalatal. O kit é composto por um livro, um CD, figuras, carimbos, copinho de plástico com bolinhas de isopor, garrote (um caninho de borracha do tipo usado para amarrar o braço na hora de medir a pressão) e adesivos.

Embora pareça tudo muito simples, Maria Cristina garante que funciona. Há anos ela vem aplicando o método em seus pacientes e os resultados têm sido positivos. No entanto, antes de colocar em prática a idéia de montar o kit, ela pediu para que outras cinco fonoaudiólogas do Centrinho aplicassem o método em seus pacientes. O tratamento também foi bem aceito.

A técnica utilizada por Maria Cristina ajuda o paciente com fissuras labiopalatais a pronunciar o som da forma mais correta possível.

Segundo a fonoaudióloga, a idéia de disponibilizar essa técnica a outros profissionais tem como objetivo tornar o tratamento mais divertido e permitir que pacientes dêem prosseguimento ao trabalho em casa ou com outros fonoaudiólogos na cidade onde moram. Muitos pacientes do Centrinho, vinculado à Universidade de São Paulo (USP), são de outros Estados.

O projeto foi concluído há dois anos, mas falta o registro para que ele possa ser comercializado em todo o País. Maria Cristina ainda não sabe quanto vai custar o kit, mas garante que terá um preço acessível, porque a idéia é popularizar o uso desse material.