No fim de 2004, o aluno Bruno Razza, 24 anos, apresentou como projeto de conclusão do curso de desenho industrial da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru um equipamento que auxilia na prevenção às varizes. A invenção parece um pedal de máquina de costura, que se ajusta aos pés e deve ser pressionado regularmente.
A intenção de Bruno é ajudar as pessoas que ficam muito tempo sentadas. Com o equipamento é possível movimentar as pernas e evitar o aparecimento de varizes - veias dilatadas e deformadas, de coloração azulada, que surgem ao longo das pernas e podem causar dor e inchaço.
Como Bauru é uma cidade com vocação para o comércio e prestação de serviço, boa parte dos trabalhadores fica sempre em pé ou sentada. E ficar muito tempo na mesma posição é a principal causa do aparecimento das varizes.
Como os pedais são leves e práticos, podem ser levados aos escritórios e colocados embaixo da mesa. Enquanto a pessoa trabalha pode exercitar as pernas com a ajuda desse equipamento.
Outra invenção que saiu da Unesp de Bauru foi um assento para crianças com paralisia cerebral. De acordo com o professor Luis Carlos Paschoarelli, o equipamento ajuda a minimizar a escoliose (desvio da coluna), comum em pessoas que têm esse tipo de paralisia.
O assento serve como um apoio toráxico e mantém a coluna do usuário reta. Desenvolvida pela aluna de mestrado Adriana da Silva Ganança, o produto foi testado durante 90 dias em uma criança que apresentava a doença. No fim desse período, foram feitas comparações com outras duas crianças que não haviam utilizado o equipamento e os resultados deixaram a aluna satisfeita.
Além do ganho no aspecto físico, o teste mostrou que a criança que usou o assento foi favorecida com uma vida social mais intensa ao lado da família.
Dentro do curso de desenho industrial houve quem se preocupasse também com a embalagem dos preservativos. A partir dessa preocupação, três alunos criaram uma embalagem mais fácil de abrir do que as atuais. Além disso, houve uma preocupação com o descarte do preservativo depois de usado.
A embalagem foi idealizada de forma que pudesse ser utilizada também na hora do usuário jogar o preservativo fora. Depois de usado, ele é colocado de volta na embalagem. O novo desenho permite que a embalagem possa ser novamente fechada e aí sim descartada, sem que o preservativo fique à mostra.
Software
Desde sexta-feira passada, como já foi noticiado pelo Jornal da Cidade, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru disponibilizou na Internet o software educacional Holos.
A função principal do programa é acelerar o desenvolvimento cognitivo e social de crianças portadoras de deficiência. Desenvolvido pela Apae de Bauru, o sistema poderá ser utilizado em todo o Brasil desde que adquirido no endereço eletrônico da entidade (www.bauru.apaesao paulo.org.br).
De acordo com Leda Rodrigues, coordenadora do projeto que deu origem ao software, o sistema da Apae possui vantagens em relação àqueles disponíveis atualmente no mercado. Segundo ela, os programas utilizados pela entidade anteriormente eram visual e sonoramente poluídos, o que dificultava o processo de aprendizagem das crianças com deficiência.
O software é utilizado pelos cerca de 1.000 alunos da Apae de Bauru. O sistema é simples e inclui filmes, jogos, quebra-cabeça, noções de trabalho e primeiros-socorros.
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Dentes perfeitos
A busca pelo sorriso perfeito levou o ortodontista Leopoldino Capelozza Filho a desenvolver um conjunto de bráquetes que se adapta aos diferentes tipos de esqueleto do ser humano. Com isso, é possível oferecer ao paciente um tratamento mais adequado para corrigir as malformações dentárias.
“Desenhei um conjunto de bráquetes que dão aos dentes características específicas do esqueleto da pessoa”, diz Capelozza. “Não adianta você querer dar ao paciente a boca que ele não pode ter. Tem de ser a boca que é normal para ele”, afirma. Os bráquetes são aquelas pequenas peças de metal que são coladas nos dentes para correção da arcada dentária. São utilizadas por quem usa aparelho ortodôntico.
A função dessas peças é colocar os dentes em seus devidos lugares. Mas segundo Capelozza, só 30% dos indivíduos têm um esqueleto bem construído e podem ficar com os dentes perfeitos com o aparelho tradicional. Os outros 70% precisam de algum tipo de ajuste para ter um resultado satisfatório. “O que eu fiz foi determinar uma variação dependendo de cada indivíduo”, diz o ortodontista.
O conjunto de aparelhos desenvolvido por Capelozza faz o que ele chama de tratamento compensatório. Em seus 31 anos de profissão, ele diz que trabalhou muito tempo com pacientes com malformação dentária e se habituou a fazer esse tipo de ajuste.
Como mais da metade da clientela recebe o tratamento compensatório, Capelozza concluiu que o interesse por esse tipo de tratamento seria muito grande entre os ortodontistas. O conjunto de bráquetes é exportado para os Estados Unidos e Europa.
“A modificação que eu fiz foi especificamente voltada para permitir que pessoas sejam tratadas de maneira mais simples, mais rápida e mais objetiva”, argumenta. “É bom para o paciente porque o tratamento fica mais curto e para o profissional, que consegue tratar mais gente num espaço de tempo menor”, afirma Capelozza.