É muito retrocesso e desgraça juntos. Primeiramente, alguns vereadores de Bauru querem rediscutir as Áreas de Proteção Ambiental do no Plano Diretor da Cidade. Políticos interessados apenas no “desenvolvimento econômico: , na viabilidade dos empreendimentos imobiliários e loteamentos, ignoram o mal que farão à cidade. Isso ajudará a destruir a nossa fonte de vida - a natureza -, as espécies animais, os rios e suas nascentes, o pouco que resta do Cerrado, a qualidade do ar e a saúde da população. Marcelo Borges diz que a mudança das Apas será uma “decisão política”. Como?? Que inversão de valores! O bem-estar da população e a preservação da mata é que devem nortear as decisões, portanto, esperamos que esse despropósito não se concretize.
Será que a ganância é irmã da ignorância? Mais 11 radares em Bauru e 200 policiais para multarem a população. Por que não aproveitam essa mesma “eficiência” e usam esse batalhão para engrossar as frágeis fileiras da proteção ambiental e multar quem desmata e põe fogo em mato? O sistema de arrecadação de multas funciona tão bem (coisa inédita neste país) que podiam transferir essa tecnologia e esse contingente para proteger a Amazônia e ajudar a combater a violência, os assassinatos encomendados, o trabalho escravo, o contrabando de espécies e os crimes ambientais. Os menores abandonados de rua também agradeceriam se estivesse sob a proteção de um serviço tão eficaz como esse.
E agora, para completar o quadro de atraso e desconhecimento, o rodeio, que estava proibido em 1.ª instância, foi liberado pelo Tribunal de Justiça de SP. Vejam como a aplicação das leis é injusta e subjetiva. Será que os juízes já ficaram escondidos nos bastidores e viram o gado ser conduzido ao brete? Os animais resistem a entrar, sentem medo, têm diarréia, porque sabem que neles serão colocados instrumentos que causam dor. Em grandes eventos, como a Grand Expo, as crueldades são atenuadas porque há fiscalização de Ongs e Polícia ambiental.
Mas, nos treinamentos, adestramentos, fazendas e cidades pequenas, os maus-tratos correm soltos. E o som altíssimo e insuportável, até altas horas, ao lado do confinamento dos animais? Como eles têm uma acuidade auditiva mais desenvolvida do que a nossa, apenas isso bastaria para uma decisão contrária ao rodeio.
A Arco não precisa dessa atividade bruta e estúpida, causadora de sofrimento ao animal, a exemplo do que ocorreu neste ano, sucesso de público. Isso interessa somente a quem ganha prêmios, a quem vive da exploração dos bichos e a quem tem como meta ganhar dinheiro sem se importar com os meios. E há um público que assiste e se diverte porque desconhece completamente os fatos.
Pedro de Sousa Meira - RG 27.849.708-1