10 de julho de 2026
Internacional

Julgamento de Saddam fica para hoje

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Bagdá - O Tribunal Penal Iraquiano adiou para hoje o julgamento do ex-ditador Saddam Hussein por genocídio contra curdos, após a realização da 23.ª audiência do processo.

Saddam e outros seis réus respondem por crime de genocídio devido à sua participação na Operação Anfal, realizada em 1988, contra curdos do norte do Iraque.

Segundo a promotoria, mais de 180 mil foram mortos, muitos envenenados com gás. No início da sessão de ontem, Saddam se sentou em silêncio ao lado dos outros réus - entre eles, seu primo Hassan al Majid, conhecido como “Ali, o Químico”.

O ex-ditador é representado por um advogado indicado pela corte, depois do boicote imposto por sua equipe de defesa, que protesta contra os procedimentos adotados no julgamento. Duas testemunhas que ontem vivem nos Estados Unidos relataram ter sobrevivido a execuções durante o regime de Saddam na sessão de ontem.

Uma delas contou que, há 20 anos, viu a própria mãe e as irmãs serem mortas a tiros. “Fomos colocados em fila em uma trincheira e um soldado atirou diretamente contra nós. Eu fui atingido no ombro”, disse Taimor Abdallah Rokhzai, 30 anos, ao tribunal que julga o ex-ditador.

Uma corte de apelações deve revisar a sentença de morte ainda neste ano. Na semana passada, um relatório de 97 páginas do grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou que a condenação de Saddam no caso foi “injusta”, alegando que ele não teve um processo legítimo e de acordo com as leis internacionais.