08 de julho de 2026
Geral

Carreta com transformador 'pára' a Rondon

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os motoristas que trafegaram ontem à tarde pela rodovia Marechal Rondon, sentido Capital-Interior, enfrentaram lentidão dentro do perímetro urbano de Bauru. Desta vez, acidentes e obras na pista não foram os responsáveis. A morosidade foi provocada por uma carreta com três reboques que transporta, a cinco quilômetros por hora, um transformador de energia até Canoas (RS).

A baixa velocidade tem explicação. O conjunto transportador tem 93 metros de cumprimento, tamanho cinco vezes superior ao de um caminhão “normal”. A altura (5,6 metros), largura (6,4 metros) e peso (585 mil quilos) também ultrapassam as medidas convencionais. Uma carreta simples tem em média 4,4 metros e 2,6 metros de largura.

Aparentando uma centopéia gigante, a carreta com os reboques dispõem de 256 pneus - 32 eixos com oito pneus cada um. Para rodar por rodovias paulistas, o transporte foi autorizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). “Quando sai do Estado, precisamos de outra autorização (para continuar a viagem)”, explica Bylly Washington dos Santos, supervisor operacional da Irga Lupercio Torres S/A.

De acordo com ele, o conjunto transportador saiu de Mogi das Cruzes em setembro. Chegará em Canoas no final do próximo mês. O trajeto seria mais curto se o transporte pudesse seguir pela rodovia Regis Bittencourt. Mas estudos de viabilidade geométrica e estrutural apontaram outra rota como ideal. A viagem seguirá até o Mato Grosso e depois, pelo Paraná.

“Após a manutenção, o transformador volta. Em março ou abril (de 2007) deve passar por Bauru de novo”, acrescenta Santos. Ele explica que, além do motorista, viajam dois operadores que trabalham nos reboques, um encarregado (que avalia questões de segurança no transporte) e duas escoltas credenciadas.

Uma empresa de engenharia também acompanha o grupo para verificar se as pontes suportam o peso. O Policiamento Rodoviário também faz o trabalho de escolta pelos municípios por onde passa. Mas durante o trajeto em Bauru não registrou incidentes. Hoje, a escolta policial continua com uma equipe de Pirajuí.

____________________

Paciência

O trânsito lento não incomoda apenas os motoristas que tentam ultrapassar a carreta gigante. Toda a equipe que percorre os 80 ou 100 quilômetros por dia a cinco quilômetros por hora também é obrigada a exercitar a paciência. “Acho que nem Buda agüentaria”, brinca o encarregado de transporte José Carlos Barbosa.

A virtude é testada não só em razão da morosidade. “Xingam muito a mãe da gente. As pessoas estão muito estressadas. Muitas não querem nem saber qual é o nosso trabalho. Outras se admiram”, comenta. Ele e a equipe pernoitariam no Posto Garcia, em Avaí.