11 de julho de 2026
Nacional

Lula anuncia o fim das divergências em seu novo mandato

Por Eduardo Scolese | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - No dia em que convidou o PDT para integrar formalmente a base de apoio de seu próximo governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o “mandato da divergência” acabou e que, a partir de agora, está pronto para construir uma gestão de “convergência”. Em conversas recentes, assim como anteontem, Lula tem admitido que, no primeiro mandato, falhou na relação com líderes políticos.

“Esse mandato acabou, o mandato da divergência acabou. Agora, a gente pode construir o mandato da convergência, e o PDT é uma peça fundamental, é um partido que tem afinidades com o PT. Eu, pessoalmente, me dou muito bem com muita gente do PDT”, disse o presidente, em entrevista após a reunião com a sigla.

Antes, em seu gabinete, Lula convidou o partido, que fez oposição ao seu primeiro mandato, a integrar a chamada “coalizão” do segundo governo petista. Com isso, o PDT teria direito a uma vaga no conselho político de governo (até agora com PT, PMDB, PC do B, PSB, PRB e PV), além de cargos em diferentes escalões. Por ora, o presidente do PDT, Carlos Lupi, diz que vai levar o convite de Lula aos demais integrantes da executiva do partido.

O governador eleito do Maranhão, Jackson Lago, que também participou do encontro, disse que a “tendência” do partido é aceitar a oferta. Sobre o fato de o PDT estar perto de um apoio formal ao mesmo governo que criticou, Lupi disse, numa referência a Lula, que o “ser humano é o único ser vivo que tem direito à evolução”. Ausente na reunião, o senador e candidato derrotado a presidente, Cristovam Buarque (DF), afirmou que o PDT cometerá um erro, caso aceite a oferta de Lula. “Nessa coalizão, o PDT deixará órfão vários daqueles que esperam uma outra alternativa ao País. Ou seja, que não querem o Lula nem o pré-Lula, e sim o pós-Lula.”

O senador, porém, disse que permanecerá no partido. Na reunião de ontem, Lula procurou quebrar o distanciamento que teve com o partido nos últimos anos. Citou a “generosidade” do antigo líder do partido Leonel Brizola, morto em 2004, alegou a “pressão política” por ter apoiado Roseana Sarney (PFL) na recente disputa contra Lago no Maranhão.

O presidente contou uma nova versão sobre ter demitido Cristovam Buarque, por telefone, do Ministério da Educação. “Na época (janeiro de 2004), não sabia que ele (Cristovam) estava viajando (em Portugal). Talvez ele não tenha me comunicado”, disse, segundo relatos de participantes da reunião.