09 de julho de 2026
Nacional

Lula se recusa a comentar sobre publicidade para TV

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recusou ontem a comentar a informação de que a Gamecorp, empresa que tem seu filho como sócio, é beneficiária de recursos federais. A empresa de Fábio Luiz Lula da Silva divide com o Grupo Bandeirantes o faturamento obtido com verbas do governo em anúncios na Play TV.

Questionado sobre isso no início da tarde de ontem após evento no Palácio do Planalto, o presidente preferiu brincar com os jornalistas. “Vamos comer, gente. Vamos comer. Deixa o homem comer”, disse o petista, sorrindo.

A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, saiu em defesa do filho do presidente. Em entrevista à rádio Jovem Pan, Dilma afirmou que “a relação entre a Gamecorp e uma televisão, que assume a forma de compra de horário de televisão, é generalizada no Brasil”.

Em seguida, concluiu: “Não é algo inusitado, faz parte de contratos comerciais pelos quais uma empresa ou uma pessoa física ou uma igreja alugam espaço ou compram espaço para veicular seus programas. Acredito que não é possível considerar estranho algo que tem uma certa regularidade na prática das TVs brasileiras. A situação é perfeitamente legal. Outras explicações não têm de ser dadas pelo governo, mas pela Rede 21 e pela Gamecorp”.

“O governo não tem nada a esconder quanto a essa questão do financiamento da publicidade estatal. Existem critérios para as diversas televisões, inclusive para a Rede 21”, disse o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Líderes da oposição consideraram “preocupante” e “gravíssimo” o fato de a Gamecorp receber verbas do governo federal por meio de anúncios. Políticos do PFL e do PSDB acionaram advogados para saber se há como contestar os repasses.

“Não pode haver contrato de gaveta em assunto público. É uma fraude”, afirmou o líder do PSDB, Jutahy Júnior (BA). O líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), classificou os repasses de “gravíssimos e muito além do razoável”: “É o caso de uma transferência direta da União ao filho do presidente”.

Presidente da recém-criada Mobilização Democrática (MD), Roberto Freire (PE) disse que “em nenhum País do mundo se permitiria isso”. “É um escândalo, o filho do presidente não pode fazer um contrato sigiloso.” Na mesma linha foi o líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA). “É preocupante o grau de promiscuidade a que o presidente se permite.”

O senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) considerou o fato “da maior gravidade”. “É o governo que está dando dinheiro para a empresa do qual Lula Filho é sócio”, disse ACM na tribuna do Senado. “Estamos cansados de, a cada dia, trazer duas, três, quatro denúncias”, acrescentou ele.