11 de julho de 2026
Internacional

Tony Blair promete investigação sobre o caso do ex-espião russo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - O premiê britânico, Tony Blair, prometeu ontem uma rígida investigação da Scotland Yard para desvendar as circunstâncias e a autoria da morte do ex-espião russo Alexander Litvinenko, 43 anos, que morreu em Londres após ser envenenado com polônio radioativo.

Segundo Blair, o caso é “muito sério” e não haverá barreiras “políticas ou diplomáticas” que impeçam a investigação. O premiê disse considerar a possibilidade de discutir o caso pessoalmente com o presidente russo, Vladimir Putin, caso isso seja necessário.

“Eu não conversei com o presidente Putin, mas o farei a qualquer hora que seja apropriada”, disse Blair durante uma entrevista à imprensa em Copenhague, após se reunir com o premiê dinamarquês, Anders Fogh Rasmussen. “Não haverá barreiras políticas ou diplomáticas para que a investigação prossiga onde quer que tiver de prosseguir”, disse ainda Blair. “Obviamente, é um assunto sério, e estamos determinados a descobrir o que houve, e quem foi o responsável”, acrescentou o líder britânico.

Grande quantidade de polônio radioativo foi detectado no organismo de Litvinenko por meio de exames de urina. Ex-agente da KGB, ele era um feroz crítico do presidente russo, Vladimir Putin, e investigava a morte da jornalista russa Anna Politkovskaya, que também era uma opositora do governo e foi assassinada em Moscou em 7 de outubro último. Antes de morrer, Litvinenko deixou uma carta acusando Putin por seu envenenamento. O Kremlin nega o envolvimento no caso, que acirrou as tensões entre Reino Unido e Rússia.

Uma autópsia no corpo do ex-espião deve ser realizada na sexta-feira, mas terá de ser feita sob condições especiais de segurança para evitar a contaminação radioativa da equipe médica.

Um acadêmico italiano que jantou com Litvinenko em Londres no dia em que ele foi envenenado permanece em Londres e passa por exames médicos, segundo fontes legais de Roma. Mario Scaramella, que foi assessor de uma comissão parlamentar italiana na era soviética da espionagem, está sendo examinado para que se constate se também foi contaminado. Segundo a rede de TV britânica Sky, Scaramella está sendo mantido em um local protegido no subúrbio de Londres. A polícia britânica não confirma o paradeiro do acadêmico italiano.

Vestígios de radiação foram encontrados no restaurante onde Litvinenko encontrou Scaramella e em outros locais de Londres - entre eles, a casa de Litvinenko.