Quito - O presidente eleito do Equador, Rafael Correa, disse ontem que buscará se aproximar do Mercosul, ao mesmo tempo em que afirmou que a Comunidade Andina de Nações (CAN) está “ferida de morte” por causa dos acordos comerciais assinados com os EUA pela Colômbia e pelo Peru.
É a mesma justificativa usada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para deixar o bloco andino e aderir ao bloco do Cone Sul. “Buscaremos nos envolver com maior intensidade no Mercosul e espero que possamos unificar todo os processos integracionistas, pelo menos na América do Sul”, disse, em entrevista coletiva.
Correa anunciou também que visitará o Brasil na primeira semana de dezembro e que depois seguirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Bolívia para participar da cúpula sul-americana, nos dias 8 e 9 desse mês. Ele também visitará a vizinha Colômbia antes de sua posse, em 15 de janeiro. “O Brasil é um dos sócios estratégicos para o desenvolvimento do Equador, temos grandes projetos de mútuo benefício”, disse o esquerdista.
A visita de Correa a Brasília coincidirá com a de Chávez, já marcada há 20 dias e confirmada na semana passada pelo chanceler Celso Amorim para 7 de dezembro - quatro dias depois das eleições em que Chávez concorre à reeleição. Em abril, Chávez anunciou a saída da CAN sob a alegação de que o bloco estava condenado por causa das negociações do Peru e da Colômbia para assinarem acordo bilaterais de comércio com os EUA.
Esses acordos agora dependem da aprovação do Congresso norte-americano - a nova maioria democrata, que toma posse em 3 de janeiro, já ameaçou revê-los. Em julho, a Venezuela tornou-se o quinto membro pleno do Mercosul. Petróleo Correa disse também que renegociará os contratos de exploração de petróleo com empresas multinacionais - entre as quais a espanhola Repsol e a brasileira Petrobras - para mais do que quadruplicar a participação do Estado no volume do produto recebido hoje.
O futuro presidente equatoriano, que na campanha prometeu renegociar os contratos de petróleo, também disse que poderia buscar o aumento da participação estatal na receita que as petroleiras são obrigadas a entregar ao Estado, de acordo com uma lei aprovada no atual governo.
Ele disse que o Estado atualmente recebe 20% do petróleo extraído no país e que seu governo tentará aumentar essa participação para 85%. Correa, no entanto, rejeitou qualquer tipo de nacionalização do setor e disse que incentivará o investimento estrangeiro na exploração petrolífera no Equador.