09 de julho de 2026
Geral

Bauru terá 31% mais bolsas do ProUni

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

O sonho de cursar uma faculdade já não está mais tão distante das pessoas de baixa renda. O Programa Universidade para Todos (ProUni), que dá bolsas a alunos carentes em instituições de ensino superior particulares, oferece 518 vagas para o 1º semestre de 2007 em Bauru. O número é 31% superior ao do mesmo período do ano passado, quando 394 vagas foram disponibilizadas.

A concorrência às vagas promete ser grande. A quantidade de bolsas tem aumentado anualmente, no entanto, o número de candidatos também cresce de forma acentuada. O comparativo pode ser feito através da análise do número de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que funciona como um substituto do vestibular para os candidatos ao ProUni.

Neste ano, 11.899 pessoas se inscreveram para a prova do Enem em Bauru. O número é 15,7% maior em relação ao do ano passado e o dobro em relação a 2004, quando o exame nacional foi utilizado pela primeira vez como critério para a seleção de candidatos à bolsa de estudos.

Para o coordenador do ProUni na Faculdade Fênix, professor Marco Antônio Torres, conseguir uma vaga do ProUni será muito mais difícil neste ano. “Se eu ofereço, por exemplo, cinco vagas em um determinado curso e existem 50 interessados, apenas aqueles que tiverem as maiores notas no Enem vão conseguir. E, pelo número de pessoas que fizeram a prova neste ano, a disputa será muito maior em relação aos anteriores”, afirma. “Percebemos que muitos candidatos que já não estavam mais estudando fizeram o exame apenas com o objetivo de concorrer ao ProUni”, completa.

Segundo Torres, o número de vagas disponibilizadas pela instituição onde trabalha quase triplicou nos últimos dois anos. “No 1º semestre de 2006 foram oferecidas 63 bolsas. Em 2007, chegará a 173. Isso porque a quantidade de alunos, que é parâmetro para a definição do número de bolsas, cresceu”, explica.

O coordenador do ProUni na Universidade do Sagrado Coração (USC), professor Raul Gomes Duarte Neto, também aponta um crescente aumento na concorrência. “Se compararmos a primeira seleção, que aconteceu em 2005, com a do próximo ano, poderemos observar uma elevação no número de concorrentes. No primeiro ano de vigência do ProUni, tivemos vagas que não foram preenchidas por falta de interessados, o que não vêm mais ocorrendo”, afirma.

Na USC, a quantidade de vagas oferecidas em 2007 será menor em relação a 2006. “São 68 bolsas neste ano contra 60 no próximo. Oferecemos mais vagas no segundo semestre de 2006 e agora pudemos fazer uma espécie de compensação”, explica o coordenador.

É difícil ter uma idéia exata da concorrência, já que toda a seleção e distribuição das vagas são feitas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). “É claro que existem cursos mais procurados. Recebemos apenas os nomes dos aprovados e não temos acesso ao número de candidatos que concorrem às vagas. É tudo definido pelo Ministério”, revela Duarte.

Competência

O ProUni disponibiliza vagas gratuitas em instituições particulares de ensino superior apenas a estudantes com baixa renda comprovada (até três salários mínimos por pessoa). Além disso é preciso também ter feito o Enem, cursado todo o ensino médio em escola pública ou em escola particular com bolsa integral, ou ser portador de deficiência física.

Tais requisitos chegaram a assustar as instituições de ensino. “Quando o programa entrou em vigor, houve certa preocupação com relação à preparação dos alunos. Pensamos até mesmo em fazer aulas de acompanhamento. Mas Os estudantes superaram todas as expectativas, com desepenho muitas vezes superior aos selecionados por meio do vestibular”, conta Duarte. “Apenas uma bolsa foi cassada. Mas não por baixo desempenho, mas por abandono do contemplado”, completa.