09 de julho de 2026
Nacional

Copom corta Selic para 13,25% ao ano

Por Ney Hayashi da Cruz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Na sua última reunião de 2006, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu os juros para 13,25% ao ano - queda de 0,5 ponto percentual -, mas já aproveitou para indicar que, a partir de 2007, a taxa Selic vai cair de forma mais lenta.

Ontem, a diretoria do Banco Central (BC) se dividiu em relação à decisão a ser tomada: cinco membros do Copom votaram pelo corte de 0,5 ponto na Selic, enquanto os outros três defenderam uma redução de 0,25 ponto. Das 44 reuniões que o Copom promoveu no governo Lula, 36 acabaram em unanimidade.

Em geral, divergências entre os diretores do BC sobre a taxa Selic dão um sinal sobre o futuro dos juros básicos da economia. Em nota divulgada após o encontro de ontem, o BC se limitou a informar que, “avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom reduziu a taxa Selic para 13,25% ao ano”, por cinco votos a três.

O comitê só volta a se reunir em 23 e 24 de janeiro. Mesmo antes de anunciado o corte de ontem a expectativa do mercado financeiro já era que o BC passasse a reduzir a taxa Selic de forma ainda mais lenta de agora em diante. Em média, a estimativa dos analistas do setor privado é que os juros caiam para 12% ao ano até o final de 2007. Mesmo com os últimos 12 cortes sofridos pela Selic, a taxa brasileira continua sendo a mais alta do mundo. Os juros reais - descontada a inflação - giram em torno de 8,5% ao ano, dependendo da metodologia usada nesse cálculo. Do lado dos preços há vários motivos que justificam um alívio nos juros.

As últimas projeções do setor privado indicam que tanto a meta de inflação deste ano quanto a do ano que vem devem ser cumpridas sem grandes dificuldades. Segundo pesquisa feita na semana passada pelo BC, a partir da consulta a cerca de cem analistas do mercado, a expectativa é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registre alta de 3,15% em 2006 e de 4,10% em 2007 - em ambos os anos, a meta foi fixada pelo governo em 4,5%.

O BC argumenta, porém, que os juros já caíram muito desde o final do ano passado, e ainda não está claro qual será o efeito dessa queda na economia. O receio, no caso, é que a inflação apresente uma resposta à redução da taxa Selic que não é captada pelas projeções matemáticas feitas tanto pelo BC quanto pelo mercado financeiro. Daí a necessidade de maior cautela.

Explicação semelhante é usada para defender a idéia de que um corte mais pronunciado na taxa Selic não é necessário para favorecer a recuperação do nível de atividade. Estudos mostram que o impacto de uma variação dos juros leva até nove meses para ser sentido por completo na economia, e os diretores do BC se baseiam nessa teoria para dizer que a redução na taxa Selic promovida ao longo de 2006 será suficiente para que, em 2007, o crescimento seja mais forte. Hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre. A expectativa é que, neste ano, o crescimento não passe de 3%.