08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Último andar


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No caminhar do elevador da vida, o amigo Rubinho Figueiredo, autêntico irmão, atingiu o último andar. Ele veio para Bauru em 1946 acompanhando o seu pai - coronel José de Lima Figueiredo - que naquele ano assumia a direção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. A partir daí, Rubinho integrou-se totalmente à vida bauruense.

Ingressou no Instituto de Educação Ernesto Monte e, paralelamente à sua presença naquela escola, participava intensamente dos momentos esportivos e sociais. Aquele jovem carioca passou a ser uma referência em diferentes atividades, na terra bauruense.

Com ele mantive um contato maior na EF Noroeste do Brasil, empresa em que ele viveu, em termos profissionais, uma trajetória de grandes conquistas em cargos de confiança. Mesmo com o seu pai dirigindo a ferrovia, não aceitou ganhar um emprego e, prestando concurso entre centenas de jovens alcançou, com méritos próprios, uma vaga no quadro funcional da tradicional estrada de ferro.

No transcorrer do tempo passei a ter com o Rubinho intensa relação de amizade, inclusive as esposas. Formamos um quarteto que caminhou lado a lado durante mais de cinqüenta anos, tanto na ferrovia, como na vida social, esportiva e filantrópica.

Quando, nos anos 60, o general Ramiro Gorreta Júnior assumiu a presidência do EC Noroeste (ele era o diretor da NOB), “ganhamos” funções das mais influentes e, juntos, procuramos modificar toda a estrutura do Alvirrubro, transformando-o em uma agremiação de influência. Se naquela época títulos não foram conquistados, uma vitória foi alcançada, ou seja, conseguimos transformar o Noroeste em um clube de marcante presença perante a sociedade bauruense e, o mais importante, com penetração junto à classe ferroviária.

Paralelamente, Rubinho se dedicava às causas nobres, principalmente de ajuda aos mais necessitados. Circulando pelos distantes pontos da cidade com a sua moto, colaborava e muito com diversificadas entidades ligadas à filantropia. Sempre me procurava para cooperar em várias promoções e com ele comparecia a essas realizações.

Foi o Rubinho um exemplo de vida e atacado por uma doença incurável, lutava para não se entregar. Sofrendo e muito, continuou a auxiliar uma série de empreendimentos humanitários. Mesmo nos últimos dias de vida deu algo de si quando, em fins de outubro me procurou para uma colaboração a uma festa beneficente e de imediato concordei.

Assim comparecemos (os casais) ao Bauru Tênis Clube para um jantar. Apesar de debilitado, recusou a minha oferta em pegá-lo em seu prédio. “De jeito nenhum. Eu passo em sua residência e vamos juntos ao BTC.” Naquela noite festiva, com tristeza observei que aquele poderia ser o derradeiro encontro com o amigo de todas as horas.

Logo depois viajei e, no retorno, fiquei sabendo que ele estava em São Paulo para uma nova consulta e intensificar o tratamento. Totalmente entregue à maldita doença, não resistiu e acabou deixando o mundo dos vivos. Pela última vez ele fazia uso do elevador da vida, indo definitivamente para o último andar, no qual um dia nos encontraremos.

Luciano Dias Pires