09 de julho de 2026
Nacional

Setor gera 10% da economia e emprega cerca de 3,7 milhões

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 3,7 milhões de pessoas trabalham em algum ramo da cultura, segundo o Sistema de Informações e Indicadores Culturais, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um amplo estudo que toma como base diversas pesquisas já realizadas pelo instituto.

Para traçar o perfil dos trabalhadores ocupados nesse segmento, a pesquisa centrou o enfoque na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2004. O perfil do trabalhador do setor é majoritariamente masculino e mais escolarizado que o trabalhador em geral. O maior grau de escolarização, porém, não se reflete em termos de aumento de rendimento.

A renda média mensal de um trabalhador ligado à cultura é de R$ 704,93, pouco inferior à média nacional -R$ 705,08. Nas atividades ligadas à cultura, predomina a participação dos ocupados com 11 anos ou mais de estudo (ensino médio completo), enquanto para o total das ocupações há maior participação de pessoas com menos de oito anos de estudo.

De acordo com o IBGE, as ocupações ou atividades relacionadas à cultura tiveram um crescimento médio de 3,4% em 2004 (em relação a 2003) e de 3,6% em 2003 (em relação a 2002).

10% da economia

As empresas privadas com alguma relação com a cultura geraram em valor cerca de 10% da economia brasileira em 2003. O IBGE analisou apenas empresas devidamente registradas da indústria, comércio e serviços. Grande parte do valor agregado se refere às telecomunicações, que abrangem, entre outras coisas, a transmissão de TV, rádio e Internet.

Sem as empresas de telecomunicações, a participação dessas empresas no valor adicionado cai para 6,2%. Segundo o estudo, empresas ligadas direta ou indiretamente à cultura correspondiam naquele ano a 5,2% de todas as empresas do país e empregavam 4% do total de pessoal ocupado.

A pesquisa sobre as principais informações sobre oferta de bens e serviços culturais vieram do Cadastro Central de Empresas e em pesquisas como a Industrial Anual, Pesquisa anual de Comércio e Pesquisa anual de Serviços. O projeto, segundo a coordenadora técnica do estudo, Cristina Lins, é realizar dentro de alguns anos o PIB da cultura. O pedido já foi feito pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Uma das dificuldades encontradas pelos pesquisadores foi distinguir entre o que eram atividades culturais daquelas de natureza diferente. Segundo Lins, a opção de incluir atividades indiretamente ligadas à cultura se deu por tratar-se da primeira pesquisa sobre o tema. A pesquisa levou em consideração atividades indiretamente ligadas ao setor, como comércio atacadista de artigos de escritório e papelaria, livros, jornais e outras publicações e telecomunicações.