10 de julho de 2026
Polícia

Idosa perde R$ 3,4 mil no quarto golpe do bilhete premiado em 10 dias

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Ao ouvir ou ler sobre o conto do bilhete, parece óbvio que se trata de um golpe, mas nos últimos dez dias já foram registrados quatro casos em Bauru. Ontem, uma mulher de 66 anos, que mora em Agudos, perdeu R$ 3,4 mil ao acreditar que uma outra mulher que lhe abordou no Calçadão realmente tinha um bilhete da loteria premiado.

O golpe funciona da seguinte forma: o golpista simula ser uma pessoa de pouca informação e pede ajuda à vítima para trocar um bilhete da loteria que ele diz estar premiado. Durante a conversa, surgem mais uma ou duas pessoas que se mostram interessadas na história do bilhete premiado.

O golpista oferece o bilhete à vítima para que ela receba o prêmio e, em troca, pede um determinado valor em dinheiro. Após entregar o dinheiro pedido, a vítima recebe o bilhete e acaba ficando sozinha. Ao conferir o bilhete na casa lotérica ou banco, a vítima descobre que não há prêmio e que caiu em um golpe.

Foi assim que mais uma pessoa caiu no conto do bilhete ontem. Esperando receber um valor maior referente ao prêmio, a idosa acreditou na mulher morena, de meia idade, que lhe abordou e numa segunda, loira, que surgiu logo depois mostrando-se interessada no bilhete.

Em boletim de ocorrência registrado no 3. Distrito Policial, a vítima relatou que retornou a Agudos para retirar o dinheiro, sendo acompanhada por uma das golpistas. Após entregar os R$ 3,4 mil às duas mulheres, em Bauru, por volta das 15h, descobriu que havia caído em um golpe.

O delegado Luiz Carlos Amado, do 3.º DP, conta que foram quatro casos em dez dias. “Em um deles, a vítima perdeu R$ 6 mil, em outro R$ 4 mil e anteontem uma idosa de 81 anos ficou sem R$ 20 mil”, enumera, frisando que tanto pessoas de baixa escolaridade quanto de instrução universitária têm caído no golpe. “Recentemente, tivemos dois casos em que duas psicólogas foram vítimas”, comenta, alertando as pessoas para o golpe.

O delegado frisa que o poder de persuasão dos golpistas é alto, o que leva pessoas instruídas e experientes a acreditar no prêmio. Para prevenir tornar-se vítima, ele orienta desconfiar sempre de proposta de dinheiro fácil, não acreditar em histórias contadas por estranhos e, na dúvida, procurar a polícia.

Pelas últimas ocorrências em Bauru, o delegado observa que o golpe, que normalmente era mais aplicado na área central, também vem fazendo vítimas na região da avenida Duque de Caxias e Altos da Cidade. Ele acredita inclusive que pessoas de outras cidades estejam aplicando o golpe em Bauru. “É fácil para os golpistas chegar a Bauru, ficar em um hotelzinho, aplicar o golpe e ir embora”, diz.

Amado ressalta que, como o caso de ontem, em que o golpista acompanhou a vítima até o banco para sacar o dinheiro, há outros registros na cidade. “Em um, a golpista chegou a ser filmada pela câmera do banco. Ela está sendo procurada, mas nós não sabemos o nome dela e nada mais sobre ela”, conta.