09 de julho de 2026
Nacional

PIB cresce só 0,5% no 3º trimestre

Por Clarice Spitz | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Rio - A economia brasileira registrou uma expansão de 0,5% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre deste ano, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expansão da economia veio dentro das previsões feitas por cinco analistas ouvidos pela reportagem, que esperavam por um crescimento entre 0,4% e 0,65%.

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4% (número revisado). O resultado de julho a setembro foi freado pelos serviços e indústria, que avançaram apenas 0,4% e 0,6%, respectivamente. Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o crescimento foi de 3,2%. As previsões variavam de uma alta de 2,2% a 3,6%.

Nos primeiros nove meses do ano, houve um crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado e a expansão anualizada da economia foi de 2,3%. Segundo o boletim Focus elaborado pelo Banco Central (BC) a partir da consulta de mais de cem analistas de instituições financeiras, o PIB deve crescer 2,94% neste ano. Se confirmado, o resultado deverá ser o pior entre os países emergentes e o segundo menor da América Latina, atrás apenas do Haiti, de acordo com estudo da consultoria Austin Rating.

Segundo analistas, apesar da continuidade do ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic), a economia brasileira ainda carece de mudanças estruturais, como aumento de investimentos, marcos regulatórios e implementação de reformas e corte de gastos do governo.

Indústria

A indústria teve alta de 0,6% no terceiro trimestre em relação ao segundo trimestre. A agropecuária subiu 1,1% e os serviços tiveram avanço de 0,4%. Já o consumo do governo apresentou crescimento de 0,1% no terceiro trimestre. O consumo das famílias subiu 0,5% e completou 13 trimestres consecutivos de alta. De acordo com o IBGE, a formação bruta de capital fixo, que representa os investimentos produtivos do País, subiu 2,5% sobre o segundo trimestre. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a expansão foi de 6,3%.

Corte de gastos

O crescimento do Brasil depende de uma série de mudanças que passam pela contenção dos gastos da previdência social e pela redução dos gastos obrigatórios, como os feitos com educação e saúde. Essa é a avaliação de Tereza Ter-Minassian, diretora do departamento fiscal do Fundo Monetário Internacional (FMI). “O Brasil está em um momento de decisão. A manutenção do equilíbrio macroeconômico e reformas estruturais permitirão um crescimento sustentável. A falta de reformas condenaria o país a taxas de crescimento anêmicas e a cobrança social”, disse a diretora.

Entre outras reformas defendidas por Tereza, está a unificação da cobrança dos impostos estaduais para evitar a guerra fiscal, o aumento da Desvinculação das Receitas da União (DRU), hoje em 20% do orçamento, e a melhora da qualidade dos gastos sociais. Para ela, é importante também aumentar o investimento em infra-estrutura.

A diretora do FMI defende que a condução da política fiscal tenha como objetivo principal a redução da relação entre dívida líquida e Produto Interno Bruto, que atualmente é de 49,5%. Isso permitiria a redução da taxa de juros real. Tereza destacou que o Brasil possui indicadores de inflação melhores do que os de outros países em desenvolvimento, como China e Rússia.

No entanto, o crescimento da economia está muito aquém do registrado por outros emergentes. A diretora chamou atenção para os êxitos da economia brasileira nos últimos dez anos: a estabilidade econômica, a opção por uma política de câmbio flutuante, a redução do endividamento externo, a redução do nível de desigualdade, e um superávit primário acima de 3% há sete anos.