10 de julho de 2026
Nacional

Com excesso de música, filme lembra antigos épicos

Por Sérgio Rizzo | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

É provável que o compositor canadense Mychael Danna (em cartaz com “Pequena Miss Sunshine”) nunca tenha trabalhado tanto quanto em “Jesus - A História do Nascimento”. Do início ao fim, sem descanso, as imagens são acompanhadas por música - religiosamente solene, quase “oficial”, como se a diretora Catherine Hardwicke (“Aos Treze”) quisesse realçar o aspecto transcendental dos acontecimentos. Jesus está no título brasileiro, mas os protagonistas são Maria (a australiana Keisha Castle-Hughes, de “Encantadora de Baleias”) e José (Oscar Isaac) no período que antecede o nascimento do “rei dos reis”.

A narrativa lembra um “filme de estrada”: o casal vai de Nazaré a Belém, passando por Jerusalém, e depois para o Egito. Em paralelo, o rei Herodes (Ciarán Hinds, de “Munique”) encarna a vilania, e os três reis magos buscam a estrela. Não há surpresas, já que o roteiro de Mike Rich (“Encontrando Forrester”) se baseia com fidelidade no texto bíblico. Interessa mais a maneira de recriar a história, que se atém a um registro “puro” e ingênuo. Até os vilões são caracterizados com moderação, como se o filme também os perdoasse porque não sabiam o que faziam.

Na iconografia cristã vista no cinema, o parentesco (distante) é com os ortodoxos épicos religiosos de Hollywood. É bem verdade, entretanto, que o naturalismo da ambientação e das interpretações contraria o esforço reiterativo da trilha: é de gente simples, ainda que em circunstâncias extraordinárias, que se fala.